segunda-feira, 25 de maio de 2009

EUA fazem exportação de rochas brasileiras despencar

Extraído do site Porto Gente

O setor de rochas ornamentais do Brasil é mais um ramo fortemente atingido pela crise econômica mundial. O segmento, que já vinha sofrendo queda na comercialização do produto desde 2006, viu a situação se agravar com a crise imobiliária nos Estados Unidos da América, seu principal cliente. Em entrevista à reportagem do PortoGente, o presidente do Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcário do Estado do Espírito Santo (Sindirochas), Áureo Mameri, explicou que a queda no comércio exterior não é o único problema do setor. A precária logística de transporte, que aumenta os custos, também tira o sono dos exportadores de rochas ornamentais.

Como mais de 90% do produto manufaturado do setor vai para os Estados Unidos, a crise imobiliária refletiu, diretamente, no empresariado brasileiro. “A situação do setor é um pouco diferente de outros segmentos. Estamos com problemas desde 2006. Começamos a fazer ajustes abrindo o leque para novos mercados, novas linhas de produtos, reabertura de pedreiras para o mercado interno e demissões de funcionários. Quando chegou setembro de 2008, foi o desastre. Pegou todo o setor produtivo e acentuou a crise”.

No ano passado, comparado a 2007, houve queda de 24% no número de negócios com o exterior e redução de 21% no peso das exportações.

Exportações Brasil

Brasil – 2008

1,9 milhão de toneladas

Brasil – 2007

2,5 milhões de toneladas

Exportações Espírito Santo

ES – 2008

1,124 milhão de toneladas

ES – 2007

1,440 milhão de toneladas

Principal estado exportador da carga, o Espírito Santo reflete, de forma clara, todas as dificuldades vivenciadas pelos exportadores de rochas. Em 2008, os capixabas foram responsáveis por 59,15% dos envios da mercadoria ao exterior. O estado registrou, ainda, redução de exportações bem similar à média nacional: 21,9% contra 24% do total do País.

2009

No primeiro quadrimestre deste ano, a queda foi de 41% no faturamento e de 38% no peso, ante o mesmo período de 2008. O Brasil exportou 408 mil toneladas de janeiro a abril de 2009; já no ano passado, no mesmo período, foram 667 mil toneladas. No Espírito Santo, foram exportadas, nos primeiros quatro meses de 2009, 230 mil toneladas (56,3% do total do País), contra 362 mil toneladas no mesmo período de 2008.

Com a queda acentuada na produção e na exportação, agravada com a concentração em apenas um mercado, no caso os Estados Unidos, muitas empresas que estavam menos qualificadas e preparadas para a diversificação de mercado fecharam as portas, segundo informa o presidente do Sindirochas. “Outras estão conseguindo se ajustar para mercado interno, tentando abrir novos caminhos. Desde o ano passado o setor está focando os mercados europeu, africano, asiático e da América do Sul”. Mameri disse, ainda, que a “sorte” é que o mercado interno está absorvendo a produção, com o setor de construção civil em alta.

Logística: outro problema

Mas não é apenas a crise no comércio exterior que preocupa o setor. A logística de transporte também é uma “pedra no sapato” do empresariado de rochas ornamentais. Boa parte da cadeia de transporte do segmento é rodoviária e, para Mameri, as rodovias deixam muito a desejar.

O segmento tem uma logística um tanto complicada. A extração está focada no norte do estado do Espírito Santo e no interior do Brasil. Assim, muitos blocos transitam nas rodovias até os portos nacionais. Mameri acredita que a situação possa melhorar com o funcionamento da ferrovia Litorânea Sul (ES).

Os portos também são criticados pelo setor de rochas ornamentais. “Pela tendência de mercado, os navios serão de grande porte e é necessário um porto de águas profundas para atender a indústria exportadora, não somente de rochas ornamentais, mas, também, de diversos outros segmentos. Como está, limita o crescimento das exportações do estado. O Espírito Santo tem muito projeto bom e o governador [Paulo Hartung] está muito focado para o porto de águas profundas e na malha ferroviária. Isso vai ajudar muito”.

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