terça-feira, 2 de setembro de 2008

Inflação e juros altos dificultam investimentos

Extraído do site da Revista Inforochas

A pressão inflacionária e a perspectiva de manutenção da política de juros altos pelo Banco Central (BC) indicam um cenário futuro arriscado para quem está disposto a investir: o empresário que deseja captar recursos em instituições financeiras terá de exigir mais na negociação de prazos e taxas.
O setor de rochas, tomador de empréstimos em potencial, deve ficar atento ao novo ambiente dos financiamentos. A partir do fim do ano, como estimam alguns economistas, bancos e credores poderão reduzir o número de parcelas, e o juro acompanhará, de forma mais gradual, a trajetória ascendente da Selic.
Já instituições como o Banco de Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo (Bandes), que recebe repasses do BNDES, tendem, neste primeiro momento, a amortecer os efeitos da política de juros altos.
“A curto e médio prazo, não haverá mudanças nas operações do Bandes, pois a Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP), que direciona nossos contratos, reage de forma bem defasada”, avalia o diretor de Operações do Bandes, José Antônio Bof Buffon.
Dessa forma, por enquanto, os empresários ainda navegam em águas calmas com juros prefixados e de longo prazo, em taxas futuras pactuadas e tabeladas hoje.
Com esses contratos, é possível saber quanto será pago amanhã diante das incertezas de um cenário de alta do juro básico.
Essa é a hora de fazer empréstimos e é o pior momento para utilizar recursos próprios”, recomenda o diretor do Bandes.
“As empresas têm que ter cuidado na hora de tomar suas decisões de investimento. Agora, com o juro ainda baixo, é hora de buscar crédito”, diz Buffon.
Ele explica que a empresa que preferir utilizar capital próprio hoje poderá ter de recorrer a linhas de capital de giro amanhã, com taxas provavelmente mais altas.
Alternativas
Para não sofrer muito a alta dos juros, o economista e professor da Fucape Bruno Funchal aconselha os empresários do setor de rochas a utilizar a saúde financeira da companhia como "currículo" para se obter um empréstimo no banco.
É preciso negociar as taxas com o gerente e mostrar por que seria bom o banco ter a sua empresa como cliente”, disse Funchal.
Outra forma de baratear o crédito, afirma o economista, é oferecer um bem ou ativo da companhia como garantia na hora da tomada do empréstimo. “Isso dá mais credibilidade ao pedido”, aponta.
Entenda o atual cenário
Como a inflação e o juro em alta afetam indiretamente o crédito?
O governo pode controlar a inflação por meio de uma política de metas que inclui o aumento da taxa de juro básico. Para saber como funciona o processo, entenda como é feito o controle de preços:
Quando surgiu a política de metas: em 1989, Chile e Nova Zelândia foram os primeiros países a adotar o sistema. Em 1992, o Reino Unido aderiu a essa política que, então, se popularizou no mundo.
Como funciona o sistema
Expectativa de inflação: ao anunciar a meta de inflação que irá perseguir, o objetivo do BC é coordenar as expectativas de bancos, indústrias e consumidores para o comportamento dos preços.
Margem de manobra: as metas costumam ter bandas, ou uma margem de tolerância para acomodar pressões de oferta que não podem ser controladas pelo BC.
Juros: o principal instrumento para que o BC consiga cumprir a meta de inflação é a taxa de juros. Aumentando o juro, o governo encarece o crédito e inibe o consumo e, conseqüentemente, a produção industrial.
Como os países controlavam a inflação antes do sistema de metas: até a década de 90, muitos países adotavam regimes de câmbio fixo ou semifixo. Esse era o principal instrumento para controlar a inflação. Mas, com a globalização financeira, as taxas de câmbio passaram a ser livres em muitos países.
Fonte: Banco do Brasil (www.bb.com.br), Fucape (www.fucape.br) e Bandes (www.bandes.com.br)
O que está pressionando a inflação mundial
A alta das commodities
Média de preço do petróleo:
1990 US$ 22,9
1995 US$ 17,20
2005 US$ 53,35
2006 US$ 64,27
2007 US$ 71,13
Alta em relação a 1990: 209%
Média de preço dos alimentos – índice de commodities do Fundo Monetário Internacional (FMI) que inclui alimentos e bebidas:
1990 102,01
1995 106,75
2005 100
2006 110,29
2007 126,92
Alta em relação a 1990: 24%
Média de preço dos metais – índice de commodities do FMI que inclui oito diferentes metais, como cobre alumínio e ferro
1990 74,2
1995 76
2005 100
2006 156,2
2007 183,31
Alta em relação a 1990: 147%
Fonte: jornal O Globo – julho de 2008 e analistas consultados

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