sexta-feira, 13 de março de 2015

Balanço das Exportações e Importações em Janeiro de 2015

Abaixo, matéria extraída do site da ABIROCHAS

No mês de janeiro de 2015, as exportações brasileiras de rochas ornamentais e de revestimento somaram USD 66,57 milhões e 123.674,24 toneladas, com variação respectivamente positiva de 2,13% e negativa de 7,1% frente a janeiro de 2014. As rochas processadas (capítulo 68) compuseram 82,20% do faturamento e 59,33% do volume físico exportado, marcando um incremento de respectivamente 6,68% e 8,86% frente a janeiro de 2014.

As rochas silicáticas brutas (posição 2516) compuseram apenas 17% do faturamento e 39,64% do volume físico das exportações com variação negativa de respectivamente 17,49% e 24,22% frente a janeiro de 2014. As exportações de rochas carbonáticas brutas (posição 2515) somaram USD 533,58 mil e 1.280,52 toneladas, registrando variação positiva de respectivamente 213,04% em valor e 7,28% em peso frente a janeiro de 2014.

As exportações de rochas para os EUA somaram USD 42,94 milhões e 54.660,28 toneladas, com incremento de respectivamente 8,18% e 9,39% frente a janeiro de 2014. Os produtos exportados pela posição 6802, quase essencialmente representados por chapas polidas de granito, quartzito e mármore, compuseram 98,93% do faturamento e 98,43% do volume físico comercializado. 

As exportações de rochas para a China, seguindo a tendência já observada a partir do 2º semestre de 2014, registraram uma queda muito significativa de 43,70% no faturamento e 42,31% no volume físico, somando apenas USD 5,93 milhões e 31.373 toneladas no mês de janeiro de 2015. É importante registrar que as rochas brutas, representadas por blocos de granito e outros materiais naturais, compuseram 98,81% do faturamento e 99,41% do volume físico exportado para esse país.

Para efeito de comparação e planejamento, registra-se que as exportações para os EUA compuseram 64,5% do total do faturamento das exportações brasileiras de rochas, enquanto a China, segundo principal destino das nossas exportações, representou apenas 8,9% desse total. As exportações para a Itália, compostas por 88% de rochas brutas, somaram USD 4,22 milhões no mês de janeiro, ficando muito próximas às da China, mas com preço médio três vezes superior para os blocos.

Importações

As importações brasileiras de materiais rochosos naturais de revestimento somaram, no mês de janeiro de 2015, USD 5,72 milhões e 8.752,76 toneladas, com variação negativa de respectivamente 23,11% e 15,97% frente a janeiro de 2014. As importações de materiais rochosos artificiais somaram USD 5,34 milhões e 5.256,54 toneladas, com variação respectivamente positiva de 1,19% e negativa de 7,33% frente a janeiro de 2014. 

Como já se prenunciava desde 2013, as importações de materiais artificiais estão se igualando às de materiais naturais. A par do crescimento das importações de porcelanato, a tendência de expansão dos artificiais deve ser observada.

A queda do volume físico das importações, em janeiro, sinaliza o desaquecimento do mercado interno.

São Paulo: Termômetro para o Mercado Interno

Na cidade de São Paulo, que funciona como um termômetro para o mercado imobiliário brasileiro, o valor médio do metro quadrado de imóveis usados, vendidos em 2014, recuou 22,12% frente a 2013. Os índices de preços que abrangem imóveis novos e usados, apurados em 20 cidades brasileiras, sinalizam uma desaceleração acentuada no ritmo de alta de preço dos imóveis, com a menor variação anual da série histórica desse indicador imobiliário.

Reverte-se uma situação de mais de meia década de subida vertiginosa de preços. De janeiro de 2008 a janeiro de 2015, os imóveis acumularam alta de 218,2% na cidade de São Paulo. No Rio de Janeiro a alta foi ainda maior nesse período, alcançando 265,2%. Em 2015, prevê-se que os preços dos imóveis novos poderão apresentar perda de valor real.

Com a desaceleração da demanda no ano de 2014, os estoques de imóveis não comercializados em São Paulo atingiram 29 mil unidades no mês de dezembro, contra uma média de 17 mil nos últimos anos. Com estoques altos e demanda em baixa, o desconto se tornou uma espécie de moeda de liquidez, segundo analistas de mercado. As negociações de venda têm sido assim concluídas com descontos entre 5% e 10%.

Com inflação em alta, atividade econômica em baixa, perspectiva de piora no nível de emprego e temor com endividamentos, aponta-se que a demanda por imóveis tende a se retrair ainda mais em 2015, com diminuição do número de novos lançamentos. Além da deterioração das condições macroeconômicas, o mercado deverá enfrentar alta de juros dos financiamentos imobiliários, também segundo especialistas da área.

Cenário para 2015

Fatores conjunturais apontam algumas dificuldades para o setor de rochas ornamentais em 2015. No mercado interno configura-se um processo de desaquecimento da construção civil, atrelado ao aumento da taxa básica de juros, à retração do crédito imobiliário e a um quadro já preocupante da economia brasileira. Isto faz prever queda de atividade das marmorarias, tanto daquelas que atendem ao mercado de alto padrão, quanto, sobretudo, das empresas focadas nos consumidores de menor poder aquisitivo.

Para empresas também atuantes no mercado externo, o que inclui mineradoras e serrarias, e exclui a quase totalidade das marmorarias, os dois principais países de destino das exportações brasileiras de rochas, EUA e China, evidenciam um quadro econômico divergente: os EUA com aquecimento da economia e importações, e a China com ajustes estruturais em sua economia e retração de importações para insumos da construção civil imobiliária.

A expansão da economia e o aquecimento do mercado imobiliário dos EUA, todavia, não repercutirão com intensidade nas exportações brasileiras. Estas exportações estão muito concentradas na comercialização de chapas para o segmento residencial unifamiliar, já saturado pelo Brasil e por outros países fornecedores de rochas e produtos concorrentes (laminados, porcelanatos, engineered stones, etc.). Em 2014, as exportações brasileiras de rochas, puxadas justamente pelo fornecimento de chapas ao mercado dos EUA, tiveram incremento de apenas 3% frente a 2013, o que deverá se repetir em 2015.

Os ajustes da economia chinesa e do seu mercado imobiliário concorreram para uma queda de 200 mil toneladas nas exportações brasileiras de blocos de granito, destinadas a esse país, em 2014. Especula-se que a economia chinesa só deverá normalizar-se a partir do segundo semestre de 2016, assumindo-se que as exportações brasileiras de blocos continuarão, portanto, declinantes em 2015 e, provavelmente, em 2016. Pela retração do seu mercado interno, a China deverá competir mais intensamente no mercado internacional e particularmente nos EUA, principal destino das exportações brasileiras de rochas.

A forte valorização do US dólar, apesar de atrelada a um cenário macroeconômico negativo, poderá compensar as empresas exportadoras de blocos e, sobretudo, de chapas, mesmo frente a alta de custos internos de energia, combustíveis e de outros fatores de produção. A análise dos segmentos de atividade e atuação do setor de rochas faz, a propósito, perceber que as empresas brasileiras já atingiram uma notável capacidade quantitativa e qualitativa de produção e comercialização de blocos e chapas, suficiente até para provocar excesso de oferta.

As atividades de lavra e beneficiamento primário têm, atualmente, demandas centradas em questões legais para obtenção de títulos minerários e licenciamento ambiental, bem como de regularização fiscal. A elaboração de produtos finais, tanto padronizados quanto cut-to-size, é convencionalmente remetida às marmorarias, que hoje constituem o segmento prioritário para qualificação tecnológica e gerencial no setor de rochas ornamentais e de revestimento.

Algumas ações da ABIROCHAS estão focadas na exportação de produtos acabados. O Estudo da Competitividade do Setor de Rochas Ornamentais no Brasil, ora em desenvolvimento, permitirá alinhar ações estratégicas inclusive centradas nas marmorarias. 

Este texto foi elaborado pelo geólogo Cid Chiodi Filho, para a ABIROCHAS – Associação Brasileira das Indústrias de Rochas Ornamentais, em 13 de janeiro de 2015, Belo Horizonte – MG. Os dados primários sobre exportações e importações foram obtidos a partir de consulta à Base ALICE do MDIC (www.aliceweb.desenvolvimento.gov.br).

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