
terça-feira, 17 de novembro de 2015
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Saiba quando e como empresa deve planejar férias coletivas
Matéria extraída do site UOL - Canal Executivo
27-10-2015
A decisão sobre se as empresas terão ou não férias coletivas no fim de ano já deve ser definida pelos administradores de algumas empresas. Esse fato é muito positivo, pois assim serão menores as dificuldades na hora de tomar essa decisão e realizar esse acordo com os trabalhadores.
Isso porque não basta apenas tomar a decisão das férias coletivas, várias ações prévias devem ser tomadas antes de iniciar esses períodos, o que gera muitas confusões por parte de empregadores e empregados. "O que vemos na Confirp é que a correria em busca de informações ocorre principalmente com a proximidade do fim de ano, isto é, a partir de outubro. As principais dúvidas que observamos são referentes a prazos, pagamentos e limites", conta o consultor trabalhista da Confirp Consultoria Contábil, Fabiano Giusti.
Entenda melhor
As férias coletivas são períodos de paralizações concedidos de forma simultânea para todos os trabalhadores de uma empresa, ou para apenas alguns setores. Para facilitar o trabalho dos leitores, a Confirp Consultoria Contábil preparou um tira-dúvidas sobre o tema:
Quais os principais pontos em relação às férias coletivas?
* Esse período é determinado pelo empregador, buscando a melhor forma de ajustar os trabalhos realizados, contudo há a necessidade de nunca extrapolar a limitação de 11 meses subsequentes a obtenção do direito a férias do empregado.
* Existe a opção de conceder férias coletivas para apenas determinados setores da empresa, mas também pode ser para todos os trabalhadores.
* Há a possibilidade de realizar dois períodos, todavia essa é uma excepcionalidade, e nesse caso nenhum poderá ser menor a 10 dias.
* A comunicação do empregado sobre as férias e as regras deve ser feita por escrito, com antecedência mínima de 30 dias do início do período.
* Todos os dados sobre as férias devem ser anotados na Carteira Profissional e no livro ou ficha de registro de empregados.
Quais os passos a serem seguidos antes de determinar as férias coletivas?
* O empregador deve, com antecedência mínima de 15 dias ao período das férias coletivas, comunicar a Delegacia Regional do Trabalho Comunicar (D.R.T.) sobre a decisão com dados referentes ao início e fim das férias, indicando quais os setores ou estabelecimentos atingidos;
* Enviar uma cópia da comunicação feita ao D.R.T. aos sindicatos das categorias que serão abrangidos pelas férias;
* Lembrando que os trabalhadores também deverão ser avisados mas neste caso com antecedência de 30 dias, colocando comunicados nos locais de trabalho.
No caso de empregados que não completaram o período de direito para férias, como deverá ser o procedimento?
Primeiramente, se deve definir quantos dias o funcionário possui de direito, por ocasião das férias coletivas, considerando o tempo de serviço e faltas existente no período. Caso este empregado tenha direito a menos dias do que a empresa estipulou para férias coletivas, este empregado ficará de licença remunerada, devendo retornar ao trabalho na mesma data dos outros empregados.
Como se dá o pagamento das férias coletivas?
Realmente grande parte dos questionamentos sobre o tema é em relação ao pagamento dos funcionários, contudo, neste ponto não existe mistério, tendo o mesmo formato das demais férias dadas aos trabalhadores. Lembrando que no caso do funcionário não tiver completo um ano de período de trabalho, o pagamento será proporcional ao período de férias que tem direito e o restante será dado como licença remunerada.
Quais outros pontos relevantes e relação ao tema?
* Empregados com menos de 18 anos ou com mais de 50 anos devem ter o período de férias uma única vez, assim, se as férias coletivas forem menores do que esses possuem por direito, deverão prolongar o período para eles, para que possam assim aproveitar integralmente esse direito. Caso o período por direito seja menor deverá se considerar o período excedente de coletiva como licença remunerada.
* Estudante menor de 18 anos deverá ter o período coincidente com o de férias escolares, nos casos em que as coletivas ocorrerem em época diversa, o período de férias coletivas deverá ser considerado como licença remunerada, e as férias legais, serão concedidas juntamente com as férias escolares.
Fonte - Confirp Consultoria Contábil
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Alta do dólar define novos rumos à economia capixaba
Matéria extraída do site do CENTROROCHAS


Em março de 2015, o dólar rompeu, pela primeira vez nos últimos 10 anos, a barreira dos R$ 3,00; no início de setembro atingiu R$ 3,81, após o Governo enviar ao Congresso Nacional proposta para o Orçamento de 2016 prevendo inédito déficit primário; e no final do mês superou a marca dos R$ 4,00, em consequência da preocupação do mercado com votações no Congresso e com a possibilidade da elevação dos juros norte-americanos.
Essa valorização no câmbio causa enorme impacto no mercado, uma vez que afeta o preço de produtos importados, os contratos firmados na moeda americana e as viagens internacionais, além de pressionar a inflação. E o Espírito Santo possui 52% de sua economia voltada para o exterior, o que torna diferenciado o impacto da volatilidade do dólar nas atividades locais. “É difícil uma empresa de sucesso que não esteja ligada a uma cadeia de fornecimento global. A alta volatilidade do câmbio não é boa para o exportador nem para o importador, pois cria muitas incertezas e dificulta o processo de tomada de decisões do administrador ou gerente”, destaca o presidente do Sindicato do Comércio de Importação e Exportação do Espírito Santo (Sindiex), Marcilio Rodrigues Machado.
O Brasil e o Espírito Santo são exportadores de commodities ou matérias-primas, e algumas delas tiveram uma grande queda de preço no mercado internacional. Na avaliação do presidente do Sindiex, em determinados casos, a disparada do dólar talvez não consiga compensar a baixa dos preços. “Além disso, o grande comprador de commodities é o mercado chinês, cuja economia se encontra num processo de desaceleração no crescimento e deverá demandar um volume menor de produtos brasileiros”, detalha.
O dirigente explica que alguns setores de produtos manufaturados, principalmente aqueles que vendem para os Estados Unidos, podem se beneficiar da alta da divisa norte-americana.“E isso poderá servir para compensar muitos custos, decorrentes da elevada carga tributária e trabalhista, da burocracia governamental dos EUA e da ineficiência logística”, alega. O encolhimento nas importações capixabas nos primeiros sete meses do ano foi de 23%, em consequência de dois fatores: os problemas de infraestrutura portuária, pois cerca de 90% do comércio internacional é realizado por meio desse modal; e a retração da atividade econômica no país.
A falta de condições ideais de infraestrutura – tais como problemas de atração de navios ou ausência de linhas regulares para os nossos portos – continua sendo um forte obstáculo. “Essas falhas estão fazendo com que muitos empresários efetuem seus negócios através de portos em outros estados. No primeiro semestre, perdemos uma média de 15% do movimento de importação para outros portos. E do lado das importações o problema é semelhante, fica cada vez mais difícil atrair novos clientes para utilizarem os serviços das tradings capixabas ou se instalarem no Espírito Santo”, enfatiza Machado.
A desvalorização da moeda chinesa frente ao dólar aumenta a preocupação. “Grande compradora de commodities, como o minério de ferro, a China tem se firmado como importante parceiro comercial do Brasil. Mas o problema é que essa economia asiática está perdendo fôlego, e isso deverá ter um impacto no comércio exterior brasileiro e do Espírito Santo. O saldo registrado pela balança comercial brasileira nos primeiros sete meses, de cerca de US$ 4,6 bilhões em 2015, se deve mais a um recuo das importações do que ao aumento das exportações. A desvalorização, até agora, de 3% do yuan não deve ser um motivo de preocupação. O grande problema atual é a recessão no mercado interno brasileiro, que é o grande inibidor de compra de produtos de outros países, independentemente do câmbio”, garante o presidente do Sindiex.
Além da grande instabilidade política e econômica, o comércio global deverá apresentar fraco crescimento este ano, em torno de 2,5%, bem inferior à estimativa de 3,3%, feita em abril, pela Organização Mundial do Comércio (OMC). A América Latina, e por consequência o Brasil, está sentindo o desaquecimento da China e a queda do preço das commodities no mercado internacional. “Portanto, não se esperam grandes mudanças nocenário de comércio exterior. A minha grande esperança é que o Brasil ou o Mercosul avancem com acordos bilaterais, seja com UE (União Europeia) ou seja com Estados Unidos, de modo que possamos incrementar as exportações de produtos com maior valor agregado”, afirma Marcilio Machado.
O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Marcos Guerra, destaca que, apesar de os resultados locais positivos do setor produtivo se mostrarem na contramão da realidade nacional, a alta excessiva do dólar é preocupante para todos os segmentos. A indústria de transformação, que mais emprega mão de obra, depende muito de matéria-prima importada.
No ramo do vestuário, por exemplo, esse percentual é de 45% de materiais e maquinários comprados no exterior, e no de móveis de encomenda, os acessórios são todos importados, o que eleva muito o custo. Além disso, o Brasil possuía a vantagem da qualidade dos produtos. No entanto, a China vem avançando no sentido de melhorar esse quesito, como fizeram o Japão e a Coreia do Sul no século passado, o que aumenta o risco da perda de clientes tanto no Espírito Santo quanto em outros estados. “O momento é de muita cautela, de atenção às oportunidades e de não arriscar. Em 2015 e 2016, vai ganhar mais quem perder menos”, destaca Guerra.
ROCHAS
No setor capixaba de rochas ornamentais, responsável atualmente por 97% das exportações de chapas do Brasil para o exterior, os blocos de mármore e granito estão cedendo espaço às chapas, materiais que custam até cinco vezes mais. Trata-se de um novo modelo de negócios, segundo a superintendente do Centrorochas, Olívia Tirello, pautado na aquisição de máquinas e equipamentos, o que melhora o processo de beneficiamento nos parques industriais capixabas. A executiva destaca que o segmento, depois do impacto com a crise nos Estados Unidos (principal importador), diversificou mercados compradores e ampliou o portfólio, conseguindo intensificar as vendas.
Ela reitera a afirmação do presidente do Sindiex de que, apesar dos números positivos, assim como ocorre com outras áreas ligadas ao comércio exterior, a falta de infraestrutura logística, principalmente em relação ao modal portuário, tem levado muitas empresas a efetuarem as exportações por outros terminais marítimos brasileiros, aumentando os custos e o transit time (tempo) das operações. “O setor capixaba tem capacidade de melhorar ainda mais as exportações. Pena que não depende apenas do empresariado, que vem investindo em tecnologia, mão de obra qualificada e processos”, explicou.
A valorização do dólar comercial reflete ainda na cotação nas casas de câmbio, que vendem a moeda na modalidade turismo em preço sempre maior que o divulgado na versão comercial, o que reduziu a procura por viagens internacionais em agências da Grande Vitória.
“A alta do dólar impactou nas viagens internacionais e nos programas de intercâmbio, sem dúvidas. Houve redução, deslocamento para novos destinos e mudança de perfis de viagem. As moedas canadense e australiana, por exemplo, não valorizaram tanto em relação ao real quanto o dólar norte-americano, a libra e o euro, por isso esses países têm sido opções interessantes. Há ainda inúmeras promoções de passagens aéreas, muitas vezes com a metade do preço normal de outros anos. E aumentou a procura pelos pacotes all inclusive, que permite uma melhor programação da viagem, com a garantia de que não será preciso gastar mais nada, ou muito pouco”, explica Sérvulo Clermont, diretor da DNA Turismo/STB.
Outro ponto preocupante dessa volatilidade do dinheiro dos EUA é a possibilidade de muitas demissões ocorrerem em empresas cujo endividamento ou a cadeia de fornecimento tem como base o dólar, o que já se especula no mercado, por exemplo, em relação às unidades da Petrobras no Estado.
Na avaliação do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), o câmbio e a queda do preço do barril afetam o potencial da estatal, mas não justificam o volume de demissões. “Boa parte do endividamento da companhia começará a ser paga somente em 2020, quando o pré-sal já estará em funcionamento. A empresa está tomando decisões em curto prazo, ignorando a geopolítica do petróleo, que, diferente de outras atividades, deve se basear em decisões e impactos em médio e longo prazos”, afirmou Davidson Lomba, diretor do Sindipetro-ES e da Frente Única dos Petroleiros.
“Suspender os investimentos em exploração e concentrar apenas na produção é um equívoco, pois irá minimizar os gastos agora, mas gerar prejuízos em médio e longo prazos. A companhia está sendo oportunista em relação às crises politica nacional e internacional do petróleo”, afirmou. Os petroleiros articulam uma greve para outubro ou novembro.
Algumas soluções para minimizar os impactos da crise no Estado vêm sendo articuladas pelo Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes). Segundo o presidente da instituição, Luiz Paulo Vellozo Lucas, no segmento exportador, o desafio está em agregar o maior valor possível aos nossos produtos e em “nossa capacidade de promover comercialmente de forma profissional no mercado externo”. Para isso, está sendo realizada uma série de ações em outros países que inclui até mesmo montagem de escritórios, utilizando o know-how das tradings que atuavam no Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap).
CENÁRIO NACIONAL
Em 2015, até primeira semana de setembro, o dólar havia já acumulado alta de 41,41%, acentuando a preocupação com o comprometimento do Governo quanto ao ajuste fiscal e com a perda do selo de bom pagador do Brasil, o que ocorreu no dia 9. Em meio à crise política e econômica, o país teve sua nota de crédito rebaixada pela agência Standard & Poor’s (S&P), de BBBpara BB+, e entrou na categoria especulativa. A entidade ainda sinalizou o risco de um novo rebaixamento.
E, no dia seguinte (10), a moeda norte-americana operou em ascensão, a cotação chegou a superar os R$ 3,90, enquanto nas casas de câmbio o dólar turismo ultrapassou a barreira dos R$ 4,30. Mas o anúncio do Banco Central (BC) de dois leilões de linha (venda da divisa norte-americana com compromisso de recompra nos meses seguintes) de compra e venda conjugadas, com oferta de US$ 1,5 bilhão, ajudou a conter a disparada.
A desorganização política teve um peso muito grande para que o rebaixamento da nota ocorresse e, neste momento, é difícil avaliar o percentual que poderá se atingir de alta, enfatiza Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management. “Hoje não temos mais muito parâmetro. Além do cenário macroeconômico muito ruim, há a realidade internacional, que não demonstra indícios de alívio, considerando a elevação da taxa de juros nos Estados Unidos, o que levará a uma fuga de dólares e, consequentemente, a uma maior pressão para o valor da cotação”, explica.
Para ele, há dois fatos preocupantes: a tendência de que a subida se mantenha; e a possibilidade de que as outras duas agências de avaliação de risco – Moody’s e Fitch – sigam a avaliação da S&P, o que levaria a uma “revoada de dólares para fora do país”, uma vez que os fundos soberanos (compra de títulos entre países) não podem fazer parte de um cenário com duas análises desfavoráveis.
O Brasil é a oitava economia do mundo e responde somente por 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, ressalta Vieira. “Nós nos obrigamos a um contexto recente de formar parcerias com base em questões ideológicas e não comerciais. Isso levou a uma infeliz limitação quanto à abertura de mercado. Hoje temos a China como grande aliada, mas não sabemos até onde ela poderá se voltar ao seu mercado interno, o que seria desastroso ao Brasil.
No período pós-real, quando vivenciamos um choque de ofertas, muito desse impacto foi reduzido com a queda de tarifa de importação”, observou. “A única coisa que podemos afirmar sem equívoco é que não haverá crescimento algum da economia este ano e nem em 2016”, observou. Luiz Paulo Vellozo Lucas, do Bandes, reitera a crítica de Vieira quanto à limitação com o mercado externo. “O Brasil tem uma taxa de abertura de 20%, é muito pequena. Esse percentual na China é de 42% e nos EUA, de 50%. E a taxa de abertura de um país determina o fluxo de desenvolvimento”, defende.
Luiz Marcatti, sócio-diretor da Mesa Corporate, enfatiza que o momento atual de disparada do dólar se aproxima do ocorrido em 1999, quando o mercado estava testando o modelo da política monetária. “A diferença é que, naquela ocasião, o Governo teve força para agir, mudar o modelo para o tripé juros/inflação/superávit fiscal, liberando o dólar para flutuar, até que se reposicionasse. Hoje o momento político é de perda de credibilidade, que o deixa de mãos atadas por um lado, e de desalinhamento entre os principais agentes do Governo, que não passam segurança ao mercado”, destaca.
Quanto à morosidade de medidas fundamentais para conter a volatilidade da moeda, o economista ressalta que o Banco Central não é um órgão com grau de independência do Governo, daí a impossibilidade de agir quando e como quer. “Depende da autorização do ministro da Fazenda e este da presidente da República, que se mostra titubeante nas decisões e rápida ao mudar de opinião”, disse.
Segundo ele, a avaliação da S&P tende a ser seguida pelas outras agências de rating. “A partir de agora veremos muito dinheiro ir embora, devido à obrigatoriedade que alguns investidores têm em somente investir em papéis com investiment grade”. Para ele, o que se pode esperar diante dessa perda no grau de investimento é o “mesmo que qualquer indivíduo ou empresa que necessita de recursos enfrenta ao constatar informações ruins em seu cadastro: crédito reduzido e caro”.
Quanto às expectativas, Marcatti reitera a avaliação dos demais especialistas. “Pela situação instalada, pela insegurança e paralisia do Executivo, 2015 dificilmente apresentará algo de positivo, assim como o início do próximo ano”, avaliou. O mercado defende que o dólar só voltará a cair, quando houver uma direção mais clara dos rumos do ajuste fiscal para equilibrar as contas da administração federal, que possui muitas dificuldades em aprovar medidas no Congresso. Além disso, o fortalecimento da economia dos EUA e a crise política e financeira da Europa são problemas externos que vêm pressionando o câmbio e desvalorizando a moeda nacional, reafirma o economista Paulo Henrique Corrêa, da Valor Investimentos. “Os americanos pretendem subir a taxa de juros, o que deverá afastar os investidores do Brasil, uma vez que essa elevação pode fazer o dinheiro render mais por lá do que aqui”, afirma Corrêa. O especialista explica que já havia necessidade de ajuste de câmbio e que o problema efetivamente está na volatilidade acelerada.
Fonte: Revista ES Brasil - Setembro/2015
domingo, 16 de agosto de 2015
Rota do Mármore e Granito é atração para visitantes da Cachoeiro Stone Fair
Matéria extraída do site da Prefeitura de Cachoeiro
Publicada em 12 de agosto de 2015
Em menos de duas semanas, começa
a Cachoeiro Stone Fair 2015. O evento, que será realizado de 25 a 28 deste mês,
é uma ocasião para empresários apresentarem as inovações do segmento de rochas
ornamentais com máquinas, equipamentos e insumos. Principal produtor e um dos
maiores processadores e exportadores de rochas ornamentais do Brasil, o
Espírito Santo responde por quase metade da produção e das exportações do país
e concentra mais da metade do parque industrial brasileiro.
O potencial das rochas
ornamentais extraídas em terras capixabas atrai grandes negócios nacionais e
internacionais para o estado. O roteiro de compradores de pedras, insumos e
máquinas e profissionais do segmento dá forma ao trajeto denominado Rota do
Mármore e do Granito, a primeira do Brasil voltada especificamente para o
turismo de negócios, o que desperta interesse de turistas e visitantes.
Segundo dados do Sindicato das
Indústrias de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Estado do Espírito Santo
(Sindirochas), entre rochas brutas e manufaturados, o Estado ocupa a posição de
maior exportador brasileiro.
Com isso, o município de
Cachoeiro de Itapemirim também exerce um papel fundamental para o
desenvolvimento organizacional e tecnológico desse segmento, pois é nele que as
empresas apresentam suas novidades. Atualmente, a cidade é considerada pelos
mercados internacional e nacional como o maior polo processador do Brasil,
conhecido por seu parque industrial de beneficiamento de rochas ornamentais – o
maior do estado.
O secretário de Desenvolvimento
Econômico do município, Ricardo Coelho, ressalta: "A Feira é o maior
evento econômico da região sul do Espírito Santo, atraindo cerca de 25 mil
visitantes de todo o país e do mundo. A expectativa é grande em relação à
movimentação de negócios, não só no Parque de Exposições, mas em toda a cidade,
pelo impacto causado nos hotéis, bares, restaurantes e nos prestadores de
serviços, em volume que pode chegar aos R$ 10 milhões. A cidade se prepara a
cada ano para receber os turistas, com vasta programação, que tem seu ponto
alto no Giro Gastronômico, no qual restaurantes locais nomeiam seus pratos com
nomes alusivos às rochas ornamentais", disse Coelho.
A Rota
Uma possibilidade para os
participantes da Cachoeiro Stone Fair é conhecer de perto as pedreiras e as
indústrias de beneficiamento de rochas ornamentais que compõem a Rota do
Mármore e do Granito, considerada a primeira voltada especificamente ao turismo
de negócios no Brasil.
O destaque da rota são três
cidades: Cachoeiro de Itapemirim, no sul, Nova Venécia, no norte, e Vitória,
logo ao centro, em função da produção e liberação de materiais para o segmento
de rochas ornamentais. Por isso, a rota é tão importante para o Estado.
Ao todo 21 municípios integram a
Rota do Mármore e Granito. São eles: Cachoeiro de Itapemirim, Nova Venécia e
Vitória, Barra de São Francisco, Ecoporanga, Água Doce do Norte, Pancas, Baixo
Guandu, Vila Pavão, Muqui, Rio Bananal, São Domingos do Norte, Águia Branca,
Alegre, Atílio Vivacqua, Castelo, Conceição do Castelo, Linhares, Mimoso do
Sul, Serra e Viana.
Entenda a desvalorização do iuan e os efeitos para o Brasil e o comércio
Matéria extraída do site G1
China busca estimular desacelerada economia e as exportações do país. Medida
afeta cotação do dólar e empresas que vendem para a China.
China busca estimular desacelerada economia e as exportações do país. Medida
afeta cotação do dólar e empresas que vendem para a China.
Darlan
Alvarenga - Do G1, em São Paulo - Atualizado em 12/08/2015 18h24
Desvalorização
do iuan é a mais alta em mais de duas décadas (Foto: AP)
A China
surpreendeu os mercados ao desvalorizar a sua moeda ante o dólar, em uma
manobra para ajudar as exportações, tornando o produto chinês mais barato no
exterior, em um momento de desaceleração da segunda maior economia do mundo.
Em dois dias, o iuan chinês caiu cerca de 3,5% em relação ao dólar, atingindo
a mínima em quatro anos. Trata-se da maior desvalorização desde que a China
estabeleceu em 1994 o sistema moderno de flutuação da moeda.
Embora o
Banco Central descarte a possibilidade de uma desvalorização contínua da
divisa, afirmando que a medida é parte de uma reforma do sistema cambial, com o
objetivo de aproximá-lo do mercado, o movimento passou a alimentar temores de
uma guerra cambial entre países e acusações de que Pequim está concedendo
vantagem desleal aos seus exportadores.
Além das
turbulências geradas nos mercados financeiros internacionais, a forte queda do
iuan gera impactos no comércio internacional, pois prejudica companhias focadas
em exportação e que têm a China entre os seus principais mercados.
Analistas
avaliam também que com uma possível maior entrada de produtos chineses nos
Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) poderá
aguardar mais tempo para aumentar as taxas de juros, que estão próximas de zero
desde o fim de 2008.
O Brasil
passa a ser afetado pelo fator adicional de incerteza no câmbio e, do ponto de
vista do comércio exterior, a desvalorizarização da moeda chinesa pode
prejudicar as empresas brasileiras focadas em exportação, sobretudo de
commodities - principais itens importados do Brasil pela China.
Confira
abaixo 10 perguntas e respostas sobre a desvalorização da moeda chinesa:
Por
que a China está fazendo isso agora?
A questão
de fundo é a desaceleração da economia. A desvalorização da moeda pode
impulsionar as exportações - setor chave da economia chinesa, com peso de cerca
de 40% do PIB do país -, que ficam mais baratas para os compradores.
A China
cresceu 7,4% em 2014, o pior resultado em quase 25 anos, e em 2015 a
desaceleração é ainda mais considerável, com um avanço de 7% no primeiro
semestre.
Em julho,
as exportações chinesas caíram 8,3%.
"Alguns
problemas já vem se acumulando na China como a bolha imobiliária e a bolsa de valores
supervalorizada. A China pode até gerar um volume de produção maior, mas o fato
é que não tem consumo no mundo para absorver essa produção", explica
Carlos Stempniewski
Economista e professor de Comércio Exterior das Faculdades Rio Branco.
Economista e professor de Comércio Exterior das Faculdades Rio Branco.
Quais
os efeitos diretos da desvalorização?
Para a
China, a desvalorização pode impulsionar tanto as exportações como o
crescimento econômico. Em tese, os Estados Unidos e outros países tendem a ser
atraídos a importar mais produtos da China.
"A
desvalorização da moeda faz com que os produtos deles fiquem mais baratos ainda
no mercado internacional, com isso desestabilizam parcialmente alguns
concorrentes mais próximos e conseguem vender um pouco mais", diz
Stempniewski.
Quem
ganha e quem perde?
Quem mais
se beneficia com a medida são as empresas chinesas, sobretudo as companhias com
volume elevado de vendas fora do país em dólar, que poderão conseguir até mesmo
uma redução de seus custos.
Do lado dos
que podem sair perdendo estão as empresas altamente dependente de vendas para a
China e multinacionais com operação dentro da China como a Apple, uma vez que
um iuan mais fraco significa menos receita quando as exportações ou o
faturamento em moeda local são convertidos em dólar.
Como
os mercados financeiros reagiram?
A desvalorização
da moeda chinesa pegou o mercado de surpresa e a escala da desvalorização
resultou em quedas nas bolsas de valores e na valorização do dólar.
As ações
mais afetadas foram as de montadoras alemãs e empresas europeias de artigos de
luxo, para as quais a China é um importante mercado. Os mercados das
commodities e do petróleo também registraram queda.
O Fundo
Monetário Internacional (FMI) saudou a "etapa positiva" inaugurada
com os anúncios de Pequim sobre uma maior flexibilidade de sua moeda, e afirmou
que esta medida não terá "implicações diretas" sobre sua decisão de
integrar ou não o iuane às moedas de referência internacional.
Analistas
acreditam em uma desvalorização ainda maior do iuane, de forma mais gradual. A
SG Global Economics prevê "uma tendência de maior desvalorização", de
até 5% nos próximos 12 meses.
Quais
as preocupações com a desvalorização do iuan?
Ainda que a
medida possa representar um estímulo às exportações, aumentaram os temores de
uma maior desaceleração do crescimento chinês, o que levaria a uma contração da
demanda por matérias-primas.
"Boa
parte do que eles produzem também depende de importação. Se a China manter esse
pretenso ritmo econômico e se isso gerar inflação, o tiro pode sair pela
culatra", avalia Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset
Managemen. "O movimento deles foi meio atropelado e isso pode ter
consequências de longo prazo complicadas", alerta.
Alguns
analistas acreditam que a desvalorização poderá desencadear guerras cambiais,
com a desvalorização da moeda de outros países emergentes, na tentativa de se
tornarem mais competitivos.
Pode ter
efeito na política de juros nos Estados Unidos?
Analistas
consideram que com o dólar mais valorizado frente ao iuan, o Federal Reserve
(Fed, banco central americano) pode aguardar mais tempo para aumentar as taxas
de juros, uma vez que a alta do dólar pode servir de entrave à recuperação da
economia dos Estados Unidos.
"A
desvalorização da moeda chinesa acabou por fazer artificialmente um aperto
monetário para os Estados Unidos, uma vez que em toda elevação de juros há
valorização cambial. E isso pode levar o FED a adiar o processo de alta dos
juros", diz Vieira.
A
medida afeta a cotação do dólar no Brasil?
A
desvalorização do iuan fez elevar a incerteza em relação ao início do processo
de elevação dos juros nos Estados Unidos, trazendo mais instabilidade para a
cotação do dólar no Brasil, que nos últimos dias.
Juros mais
altos nos EUA tendem a atrair para o país recursos atualmente aplicados em
mercados como o Brasil, motivando uma tendência de alta do dólar.
Como
ficam as importações e exportações do Brasil?
Os
analistas avaliam que o real mais fraco deverá compensar os impactos da
desvalorização da moeda chinesa no comércio brasileiro. No acumulado no
ano, a moeda dos EUA já subiu cerca de 30% frente ao real. Ou seja, a
desvalorização do real foi bem maior que a do iuan.
"As
importações podem aumentar, uma vez que seus produtos chineses tendem a ficar
mais baratos. Mas isso tudo depende de uma relação global de dólar que ainda
está instável", explica o economista-chefe da Infinity. "Não é
questão de vantagens ou desvantagens. Trata-se na verdade de um cenário repleto
de incertezas, por enquanto", completa.
Para
Stempniewski, o impacto maior será sentido pelas empresas brasileiras que
vendem para a China. "Como o iuan passa a valer menos na relação com o
dólar, a China vai passar a pagar menos pelas commodities, afetando a
lucratividade dos exportadores, que terão que aumentar o volume de vendas ou o
preço para conseguir a mesma quantidade de dinheiro", explica.
O
resultado da balança comercial brasileira pode ser afetado?
No
acumulado do ano até julho, as exportações brasileiras superaram as importações
em US$ 4,59 bilhões. O país também acumula superávit no comércio bilateral com
a China. As exportações para os chineses, entretanto, recuaram 19% na
comparação com os primeiros 7 meses de 2014, para US$ 22,5 bilhões. Já as
importações caíram 7,4%, para US$ 19,9 bilhões.
Para os
anaçistas, o impacto da China no resultado da balança comercial brasileira será
mínimo. "A economia brasileira parou, não estamos importando praticamente
nada, então essa desvalorização do iuan não vai fazer nem cócegas na balança
comercial", diz Stempniewski.
"O
mais imediatamente afetados serão aqueles que concorrem no mercado
internacional diretamente com os produtos da China. Nós não concorremos em
praticamente nada. Ou seja, o impacto para quem tem algo em torno de 1% do
comércio mundial é praticamente nenhum", completa.
Como
funciona o sistema cambial da China?
O Sistema
de Comércio Exterior da China, que opera o mercado de câmbio, e o Banco Central
do país fazem uma pesquisa no mercado a fim de estabelecer uma taxa de
referência diária, também conhecida como taxa de paridade central. Por esse
sistema, permite-se que iuan pode subir ou descer até 2% por dia.
Até o
momento, as autoridades chinesas afirmavam que a cotação da moeda era baseada
em informações dos operadores do mercado, mas na terça-feira o Banco Central
destacou que vai incorporar ao cálculo indicadores como o fechamento do dia
anterior, dados do mercado cambial e as cotações das principais moedas.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
domingo, 26 de abril de 2015
Parceria do "Fique informado" com a Revista Lugar de Notícias

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Está em fase de estudo a possibilidade de termos uma edição especial para a Cachoeiro Stone Fair 2015... Então, negociem desde já e garanta seu espaço e preço acessível… Depende de você!!!
Por uma extração sustentável
Abaixo, matéria extraída do site da Revista Lugar de Notícias
O desafio está lançado. A corrida por um mundo ecologicamente
equilibrado está tomando grandes proporções e o setor empresarial deve se
adequar urgentemente. E quanto às rochas ornamentais? Realmente dá para se
enquadrar nessa realidade?
REPORTAGEM
Sara Moreira FOTOS Márcia Leal
Foi dada a largada – o que não significa que
fora dada a tempo. Pessoas físicas e jurídicas precisam projetar e colocar em
prática uma vida/empresa ecologicamente correta, que não deixe de dar qualidade
e conforto/lucros, mas que não seja à custa dos recursos naturais. Cientistas,
estudiosos, ativistas e pessoas do gênero já provaram “por a mais b” que é
preciso, sim, se adequar às exigências ambientais, garantindo a perpetuação da
raça humana no planeta. É mais que uma questão de sustentabilidade. Virou
questão de bom senso.
Geralmente quando se fala em extração de
rochas, a imagem que vem à mente é a de uma enorme área desmatada com uma pedra
de tamanho incalculável sendo dissecada ali mesmo. E em geral é assim mesmo que
ocorre. A diferença, já não tão novidade assim, é que nos últimos tempos, está
surgindo uma nova espécie de empresário do setor; sem contar o tipo que se
camufla e defende a falsa bandeira da “economia verde”, está despontando uma
classe de empresários realmente preocupada em devolver um pouco, ou muito, do
que fora tirado da natureza em prol do setor.
“Mediante a efetiva presença do poder
público (órgãos fiscalizadores) junto às diversas modalidades de mineração, os
empresários e seus consultores têm procurado melhor mitigação do impacto
ambiental, entendimento com as comunidades locais e compensação por danos não
mitigáveis, propiciando melhoria da imagem da mineração junto à sociedade”,
afirmou Flávia de Godoi, Coordenadora de Licenciamento de Mineração do
Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).
Segundo dados do Instituto, o número de
autos de multa e intimação caiu, se comparado a 2011 e 2012. Porém, os autos de
interdição e embargo aumentaram no mesmo período. Ainda há muito que se fazer,
e em todas as esferas, seja pública ou privada.
O Espírito Santo é o maior
produtor, processador e exportador de rochas no Brasil. Cerca de 75% das
exportações em dólares e 67% em volume de todas as rochas exportadas pelo país
no ano passado saíram do Estado. Segundo informações divulgadas pelo Sindicato
das Indústrias de Rochas Ornamentais, Cal e Calcário do Espírito Santo
(Sindirochas), a atividade de rochas ornamentais contribui com cerca de 8% do
PIB capixaba e gera em torno de 120 mil empregos diretos e indiretos.
Números grandes, assim como a
quantidade de empresas no Estado. De acordo com levantamento do Iema, no total
são 1.543 processos de licenciamento ambiental da atividade de extração de
rochas; destes, 427 (28%) possuem requerimento de primeira licença ainda
aguardando análise técnica (cada processo de licenciamento tem no mínimo três
requerimentos de licença). “Um dos entraves do setor no Estado é a falta de
cumprimento de prazos para análise de processos e liberações de licenças, seja
por paralisia, inoperância ou omissão no desempenho das obrigações.
Nossa vigilância é permanente
nos assuntos relacionados ao meio ambiente, que é agravada pela burocracia para
se obter o licenciamento”, afirmou o presidente do Sindirochas, Samuel
Mendonça. Dados do Iema apontam que entre 2011, 2012 e janeiro de 2013, 275
empresas foram autuadas pela Coordenação de Licenciamento de Mineração do Iema.
Já pela Gerência de Fiscalização
do mesmo instituto, entre multas, intimações e embargos, foram 54 em 2011; 44
autuações em 2012; e três em janeiro deste ano. Outro desafio foi, e continua
sendo, a crise internacional, que teve os primeiros sinais em 2007 e afetou de
maneira catastrófica o setor. “A crise foi enfrentada a partir de muita
criatividade, do uso de novas tecnologias e a maior atenção voltada ao mercado
interno”, afirmou Mendonça. Segundo ele, a atual crise econômica na Zona do
Euro não afetou significativamente o setor. “Observa-se que o mercado de rochas
ornamentais no Brasil está bem mais maduro. A crise mundial e a crise
imobiliária americana, bem ainda a crise pela qual passa boa parte dos países
europeus, despertaram nas empresas de rochas necessidades de trabalharem de
forma mais planejada, de valorizarem mais o mercado interno, de analisarem
riscos, de buscarem formas para redução de custos e obtenção de uma maior
produtividade a partir da capacitação de pessoal, da melhoria de processos e
produtos e da implantação de novas tecnologias”, ressaltou o presidente do
Sindirochas. Investimentos em novas tecnologias e também na busca de
profissionais especializados, principalmente na área ambiental, vem tomando
forma no perfil das grandes empresas.
Bióloga na extração de rochas
Em Cachoeiro de Itapemirim, o
maior polo de beneficiamento de rochas ornamentais das Américas e segundo maior
do mundo, uma empresa em especial foi além das condicionantes ambientais
exigidas pelo Estado.
Há três anos, a Bióloga e Mestre
em Engenharia Ambiental, Giselle Intra, tem a carteira assinada na empresa
Marbrasa. “Quando falo para algumas pessoas que sou bióloga e trabalho numa
empresa de extração de rochas, elas não conseguem associar uma coisa à outra e
acham estranho”, brincou. Mas trabalho não falta. Afinal, quatro caminhões com
20 toneladas de lama abrasiva saem por dia da empresa rumo a tratamento e
destinação final; todo o entorno da sede e das nove jazidas estão em processo
de reflorestamento; ela ainda ajuda a cuidar de um bosque de 4,7 mil metros
quadrados e 670 mudas que está sendo finalizado nos fundos da empresa;
fiscaliza os licenciamentos ambientais, o cumprimento das condicionantes e os
processos de reutilização de água; e também realiza palestras de educação
ambiental para os 320 funcionários, ensinando-os a separar e descartar o lixo
de forma correta.
“Não é nada fácil, mas é
recompensador ver os frutos”, afirma Giselle, fazendo questão de mostrar, com
orgulho, o bosque e descrever todas as espécies: pau-brasil, ibisco, cajá,
pitanga, pata de vaca, aroeira, coqueiro, jequitibá rosa e muitas outras.
Segundo a bióloga, a preocupação
com o meio ambiente tornou-se primordial na empresa. “Prova disso é que, no
quesito reflorestamento como condicionante, 44,52% das áreas verdes são as
exigências legais; o restante, 55,8% das áreas foram reflorestadas pela própria
empresa, sem ter essa obrigação”, afirmou Giselle. Além do reflorestamento, a
Marbrasa também investiu em equipamentos que diminuem os impactos. Foi
inaugurado no ano passado na jazida de Colatina, norte do Estado (considerada a
maior do país), as instalações de um Tear multifio e 3 bi-fios, que são capazes
de produzir 20 mil metros quadrados de chapas de granito preto São Gabriel.
Na prática, as pedras são
serradas no local da extração, evitando transportes e outros impactos. Ao lado
da nova estrutura está pronto o mais moderno sistema de filtro prensa existente
no país, que elimina o processo gerador de lama abrasiva.
Empresas diminuem impactos
do setor
A necessidade de descarte da
lama abrasiva e de outros resíduos tem se tornado preocupação dos empresários
do ramo, que cada vez mais procuram empresas especializadas neste tipo de
serviço, também chamado de “logística reversa dos materiais”. Duas delas vem se
destacando no cenário. Com sede em Vila Velha, a empresa Cycle nasceu há dois
anos e já possui uma significativa carteira de clientes – três deles são
empresas de rochas. Juntas, essas empresas descartam mais de 1,6 mil toneladas
de resíduos por mês. “Recolhemos esses materiais, inclusive os resíduos
perigosos de Classe I, reaproveitamos e devolvemos aos diversos setores do
mercado. Também realizamos orientação a essas empresas quanto ao descarte
necessário”, afirmou Cláudio Carneiro, Gerente Operacional.
Outra empresa especializada em
destinação correta da lama abrasiva é a Associação Ambiental Monte Líbano
(AAMOL), fundada há seis anos em Cachoeiro de Itapemirim. Parte da lama
abrasiva é depositada num aterro ambientalmente correto, e a outra parte é
reaproveitada para a produção de blocos de concreto. Um estudo inédito está
sendo realizado em parceria com Universidades para a produção de argamassa a
partir dessa mesma lama. Se tudo der certo, será uma excelente alternativa de
reutilização dos resíduos na construção civil e o meio ambiente agradece.
Artesanato de resíduos
Em Cachoeiro de Itapemirim, bons
exemplos de reciclagem de resíduos não faltam. A partir de sobras de pedras que
não podem ser utilizadas nas indústrias, o artesão Romário Simão da Rosa
fabrica elegantes peças de design arrojado. Seus trabalhos ganharam destaque no
“Catálogo do Artesanato Capixaba 2012” e podem ser conferidas no site
www.rrgranitos.com.br. Mais informações: (28) 9884-2961.
Entrevista
Flávia Karina Rangel de
Godoi, Coordenadora de
Licenciamento de Mineração do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos
Hídricos (Iema), fala com exclusividade à Lugar de Notícias sobre os desafios
do Estado em relação ao setor rochas e meio ambiente.
Qual a preocupação do Iema em relação ao meio ambiente no setor de
rochas?
O desafio da gestão ambiental do
setor de mineração é grande e impõe a necessidade de um trabalho rigoroso em
função da sua importância socioeconômica, dos impactos ambientais causados
pelas atividades, da necessidade de interação com outros órgãos (DNPM, Idaf,
prefeituras), bem como da necessidade de promover e difundir uma cultura de
exploração racional e que respeite o meio ambiente, além da própria demanda
burocrática.
Das condicionantes exigidas, quais os empresários encontram maior
dificuldade de cumprir e por quê?
O maior desafio das empresas é,
sem dúvida, proceder com a correta disposição dos refugos da lavra, comumente
denominados de rejeitos, que são os fragmentos de rochas não aproveitáveis
economicamente e que em grande parte das empresas o volume gerado chega a ser
maior que o volume de blocos comerciais. As dificuldades se iniciam na escolha
do lugar adequado, pois demandam áreas extensas e com características
específicas; o método de transporte e o método de disposição, tendo em vista
que a gestão desses fragmentos não é tarefa fácil e requer cuidados
permanentes, principalmente para garantir estabilidade mecânica, segurança,
conformação topográfica e harmonia paisagística. Outro ponto de grande
dificuldade para as empresas está relacionado à condicionante sobre exigência
de execução de medida compensatória pelos danos ambientais irreversíveis
provocados pela atividade, onde na maioria dos casos refere-se ao
reflorestamento. A dificuldade está em encontrar áreas disponíveis para tal. Na
falta dessa área disponível, a empresa acaba optando por apresentar medidas
alternativas.
O Instituto percebeu alguma melhoria na percepção dos empresários
do setor de rochas em relação à preservação ambiental?
Sim, mediante a efetiva presença
do poder público junto às diversas modalidades de mineração, seja através do
Iema, Polícia Ambiental e demais órgãos fiscalizadores, os empresários e seus consultores
têm procurado melhor mitigação do impacto ambiental, entendimento com as
comunidades locais e compensação por danos não mitigáveis, propiciando melhoria
da imagem da mineração junto à sociedade. Para 2013 está prevista a realização
de novas palestras voltadas aos empresários/empregados das áreas de extração
(pedreiras), a ocorrer em municípios da região Sul e Noroeste do Estado. A
agenda das palestras, assim que concluída, será devidamente divulgada pelo
Sindirochas. Essa melhoria na percepção está muito relacionada, também, com o
caráter orientativo adotado pelos técnicos quando realizam as vistorias, ou
seja, aplicam as penalidades quando necessário, mas ao mesmo tempo procuram
orientar o empreendedor sobre como proceder tanto tecnicamente quanto
administrativamente, para corrigir as irregularidades constatadas.
Como conter a extração ilegal? O que já é feito e o que pode
melhorar?
O Iema possui analistas atuando
diretamente na fiscalização das atividades ilegais, bem como na fiscalização do
controle ambiental visando o efetivo cumprimento das condicionantes impostas
pelas licenças ambientais, através de constantes vistorias de campo. Ocorre
que, infelizmente, o número de analistas frente à demanda ainda é insuficiente
e a presença dos mesmos em campo não é permanente, o que propicia a execução de
atividades ilegais. Estas vistorias são planejadas conforme o recebimento das
denúncias formuladas pelo Disque Denúncia ou Internet, e as providências
tomadas decorrem da aplicação da Lei Estadual de Fiscalização nº 7.058/2002,
podendo ocasionar a lavratura de autos de multa, de interdição e/ou apreensão
de máquinas/equipamentos. Para intensificar o poder de autuação pelo órgão
ambiental é recomendado que as denúncias sejam encaminhadas com o maior detalhamento
possível, principalmente com indicação correta do local e descrição do suposto
dano/crime ambiental. Além disso, é muito importante a efetiva colaboração dos
demais agentes ambientais (funcionários das Secretarias Municipais de Meio
Ambiente, Obras, Agricultura e outras; Polícia Militar Ambiental; Ibama; Idaf;
DNPM e outros), os quais também possuem competência legal para efetuar
diligências nos locais e registrar as ocorrências verificadas. Ações voltadas
para a diminuição da burocracia, redução no tempo de emissão das licenças,
construção de regras mais claras (facilidade de entendimento) e capacitação de
empreendedores e consultores são exemplos do que ainda pode ser melhorado.
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