quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O desafio de evitar um colapso

Extraído do site da Revista Pedras do Brasil

Os setores financeiros mundiais estão em dificuldades, porque muitos investiram demais no mercado de hipotecas. Quando a bolha imobiliária norte-americana estourou, os bancos ficaram sem saber quais dos seus empréstimos seriam repagos e quais sofreriam calote. O que começou como um pequeno problema, agora tomou conta de todo o mundo.

Por Karina Porto Firme

O colapso da bolha imobiliária atingiu primeiro o setor ornamental brasileiro, que viu suas exportações diminuírem, consideravelmente, com a valorização do Real. Agora, com a eclosão da crise norte-americana mundo a fora, o problema passa a ser de demanda.

Em outubro de 2006, a Revista Pedras do Brasil divulgou a matéria “Bolha americana deixa mercado em alerta” e mostrou que, frente ao possível estouro da bolha imobiliária, o setor de pedras, ainda, investia no mercado externo e amargava uma inadimplência de US$ 10 milhões. A intenção era fazer com que os exportadores do setor passassem a olhar, com mais atenção, para o mercado interno.

A bolha americana estourou e tem jorrado suas perdas aos outros países da nação. No Brasil, os primeiros impactos estão sendo sentidos, principalmente, no mercado financeiro. Ações em baixa, crédito em falta, juros altos e, principalmente, um clima de incertezas. Na visão do economista Orlando Caliman, as conseqüências não se restringirão, apenas, ao campo financeiro. Em uma entrevista, exclusiva, para a Revista Pedras do Brasil, o analista aponta que as expectativas trabalham na direção de queda do ritmo de crescimento da economia, com impacto, principalmente, em 2009.

O lado bom desse cenário, segundo Caliman, é que, felizmente, o Brasil está preparado para o momento, pois dispõe de reservas, tem um mercado interno forte e tem bom relacionamento comercial com os países emergentes. Em contrapartida, as exportações para o mercado norte-americano, devem sofrer restrições. Confira a entrevista concedida no dia 10 de outubro. Em virtude desse atual quadro de incertezas, mais do que imprescindível frisar a data, pois a irracionalidade dos mercados tem prevalecido na economia mundial.

Revista Pedras – Como os Estados Unidos chegaram a esta crise?

Orlando Caliman – Diferentemente da crise de 1929, cuja origem esteve relacionada a um forte desequilíbrio entre a oferta e a demanda agregadas – com excesso de ofertas –, a crise atual tem fundamentos num comportamento decorrente de exposição a riscos de crédito sem precedentes na história. Ambas, como qualquer crise, se expressam, mais fortemente, no mercado financeiro. Em 1929 a queda forte dos lucros das empresas desencadeou uma forte corrida de venda de ações, que na seqüência atingiram, também, os bancos. Lá, portanto, a economia real deu o primeiro sinal. A crise atual tem fundamentos no abalo nas relações de crédito da economia norte-americana. Financiou-se sem as devidas garantias – créditos de alto risco, os chamados sub-primes –, e, além disso, tais créditos acabaram servindo de alavancagem para derivativos que se multiplicaram pelo mundo. Como a origem era potencialmente "podre", por não serem honradas, desencadearam uma onda de temor de inadimplências nos elos subseqüentes da cadeia. Bancos portadores de títulos, cujas origens estavam ligadas ao mercado de hipotecas imobiliárias por exemplo, passaram a ter dificuldades de acesso ao crédito. Na verdade, os Estados Unidos chegaram a essa crise por total falta de controle e de limites nas operações financeiras. Enquanto no Brasil a alavancagem nas operações financeiras dos bancos chega, em média, a 11 vezes – nos Estados Unidos atinge até 30 vezes. Trata-se de uma exposição a riscos, sem igual. Em resumo, construiu-se um verdadeiro "estado de desconfiança" em escala global.

RP – Além dos Estados Unidos, a Europa também foi afetada. Em que proporções?

OC – A Europa foi atingida através de três canais: o canal da "bolha imobiliária" norte-americana, o canal do crédito e o canal da economia real. Vários bancos da Europa tinham, nas suas carteiras, títulos derivativos dos créditos hipotecários dos Estados Unidos. Esses tiveram que correr para cobrir os seus prejuízos. E isso é feito, em situações normais, através de operações interbancárias. O problema é que, também, entre os bancos estendeu-se o temor de inadimplências inter bancos. Daí decorre a necessidade dos bancos centrais europeus injetarem dinheiro no sistema. Na verdade, o crédito foi, totalmente, travado. O terceiro canal é o relativo à economia real. Nesse caso, o sinal dado pela economia norte-americana é de que a economia não mais irá crescer. E isso significa queda na produção, desemprego em perspectiva etc. Fora dos Estados Unidos, a Europa foi à região mais atingida.

RP – Qual será o impacto dessa crise nos países emergente?

OC – O peso das economias emergentes na economia global tem crescido rapidamente nos últimos anos. Muito provavelmente nos próximos dez anos o conjunto das economias desses países ultrapassará o tamanho do conjunto das economias dos países dês envolvidos. Esses países serão menos impactados. China, Índia, Brasil, Coréia, Rússia e outros crescerão menos em 2009, mas não serão atingidos tão fortemente como a Europa e os Estados Unidos. O primeiro impacto virá a partir das restrições de crédito – mais escasso e mais caro –, depois pela redução do comércio com os países desenvolvidos, por força da queda da demanda.

RP – Para o Brasil, diretamente, quais serão as conseqüências?

OC – No Brasil, os primeiros impactos estão sendo sentidos, principalmente, no mercado financeiro. Ações em baixa, crédito em falta, juros altos etc. Mas, principalmente, um clima de incertezas. Naturalmente, as conseqüências não se restringirão, apenas, ao campo financeiro. As expectativas trabalham na direção de queda do ritmo de crescimento da economia, com impacto, principalmente, em 2009. Felizmente, o Brasil está preparado para o momento. Dispõe de reservas, tem um mercado interno forte, tem bom relacionamento comercial com os países emergentes. Exportações para o mercado norte-americano, por exemplo, sofrerão mais restrições.

RP – O pacote norte-americano é a solução?

OC – Ele é parte da solução, não o seu todo. A solução também não mais depende, exclusivamente, da economia norte-americana. A crise é global e exige, também, soluções globais. Todavia, a sinalização para o retorno da confiança deverá, necessariamente, sair dos Estados Unidos. É bom lembrar que nenhuma outra economia no mundo tem melhor condição de sair dessa crise do que os Estados Unidos. Não é sem razão que todos estão correndo para o dólar e títulos do tesouro norte-americano, como forma de escapar de perdas. O dólar é uma das poucas moedas que está se valorizando. Parece paradoxal, mas é verdade. O mundo acredita que os Estados Unidos têm condições de dar a volta por cima, mais que qualquer outro país.

RP – Qual o preço que os Estados Unidos pagarão para superar este momento tão delicado?

OC – É difícil mensurar o custo total dessa "insanidade" geral, que acometeu os Estados Unidos. Os números expostos ao público dizem respeito, principalmente, aos recursos que o governo está disponibilizando para salvar instituições financeiras. No total, talvez isso chegue a mais de dois trilhões de dólares até o final da crise. No entanto, o que, ainda, não alcançamos são os estragos nas finanças das empresas e das pessoas. Estimativas preliminares dão conta de que cerca de 7 trilhões de dólares evaporaram no mercado acionário.

RP – Qual o principal desafio para o próximo presidente norte-americano e em que estado ele assumirá o país?

OC – O principal desafio será, sem dúvida, o de construir um novo "estado de confiança". O governo norte-americano tem que, primeiramente, estancar o processo de irracionalidade do sistema econômico e reconstruir os seus fundamentos e referenciais. O lado psicológico, agora, conta mais do que outra coisa. E ele tem que ser trabalhado no coletivo. Como não existe a situação do "eu seguro" – segurança individual –, a grande tarefa do Estado – governo norte-americano – é construir essa segurança.

RP – Há como remediar esses acontecimentos?

OC – A situação está a tal ponto que a única saída é remediar ou remediar. E digo mais, nem se trata de remediar, mas sim reconstruir um estado de confiança, desconstruindo a onda de desconfiança atual.

RP – O presidente Lula segue firme em seu caminho afirmando que a crise não afetará o Brasil, mas caso afete, quais suas proporções?

OC – Eu acho que a ficha agora caiu. Também Lula e Governo estão admitindo a crise e seus prováveis impactos na economia brasileira. Talvez não tenham ou não queiram externar a dimensão desses impactos. Podemos ficar mais tranqüilos que a maioria dos demais países do mundo, porém, não totalmente. Muito provavelmente, não teremos o tanto de novos empregos que estávamos esperando. As nossas vidas já estão sendo afetadas. Não devemos, isto sim, nos apavorar. A situação não é de parar de comprar ou de produzir. Se, simplesmente, deixarmos de comprar, num movimento coletivo, aí estaremos criando as condições para que a crise se aprofunde.

RP – Especialistas dizem que o Brasil irá sentir a crise em 2009. O senhor acredita nisso?

OC – O Brasil esperava crescer a 4,5% em 2009, antes da crise. No momento as expectativas indicam que chegaremos a 3,5%. Trata-se de uma ótima taxa, no contexto das demais economias do mundo. Alguns especialistas apontam para 3%. De qualquer forma vamos crescer no próximo ano. E 3% diante da história dos últimos 15 anos de economia brasileira já é bom. Naturalmente, alguns setores sentirão mais que outros.

RP – Qual a importância deste momento para a história da economia mundial?

OC – Eu acredito na lição e no aprendizado para uma economia globalizada. Toda crise tem o seu lado negativo, mas também tem o seu lado positivo. A parte positiva da crise é que ela funciona como depurativo de excessos. São nesses momentos que surge a força da "destruição criativa", numa referência ao grande economista Schumpeter. Assim como a criatividade e inovações nos mercados financeiros geraram as condições para crise atual, também sairá da criatividade a sua solução.

RP – Existe alguma forma de amenizar os impactos do sobe e desce das ações?

OC – É bom deixar claro que hoje – 10 de outubro –, o que está prevalecendo no mercado é a irracionalidade. Como não existem parâmetros e referências para as decisões, prevalece o caos. Os movimentos de "manada" são mais comuns. O sobe e desce, somente, será contido quando um mínimo de confiança voltar aos mercados. Enquanto prevalecer a desconfiança, não podemos esperar nada de racional. Algumas medidas isoladas poderão sinalizar para momentos de trégua. É o caso, por exemplo, do pacote norte-americano. Como o problema é global, a forma de amenizá-la ou solucioná-la deverá vir através de ações articuladas e operadas em escala global.

RP – O setor ornamental está passando por um momento muito especial devido à redução no consumo externo. O senhor acredita que a crise norte-americana deve afetar, ainda mais, o setor?

OC – Na verdade esse setor já vinha sofrendo com a valorização do Real. Agora o problema é, ainda, maior pois passa a ser de demanda. Sem dúvida a economia norte-americana, que já está em recessão, continuará nessa mesma toada e com maior intensidade no próximo ano. Como a crise norte-americana está assentada, sobretudo no mercado imobiliário, o setor de construção será o mais afetado. Por conseqüência, a demanda por produtos construtivos será mais atingida.

RP – Para os que estão exportando, apesar da crise, quais devem ser os cuidados?

OC – Em plena crise o cuidado maior talvez seja aquele relativo aos potenciais calotes. Certamente empresas importadoras norte-americanas estarão mais propensas a crises de liquidez. Já, nos seus negócios, as empresas deverão "apertar os cintos", refazendo os seus planejamentos e fazendo os seus ajustes. Não é fácil, mas é o que sobra de alternativa. As empresas precisam, também, se ajustar às novas margens impostas pelo mercado ou mesmo redirecionarem as suas vendas – mercados – e portfólio de produtos.

RP – No início de outubro, o presidente Lula defendeu a internaciolização das empresas brasileiras. Qual sua opinião sobre esta ação?

OC – A internacionalização é inevitável e as empresas devem buscá-la. Mesmo nas crises é possível, além das lições, extrair oportunidades. Como o Brasil está mais preparado do que boa parte dos demais países e essa percepção é extensiva, também, para as empresas, talvez esse seja um momento interessante, onde a criatividade brasileira possa ser mais acionada. É bom ter em mente que a demanda por alimentos continuará crescendo, como também para produtos na área de energia.

RP – Há outras oportunidades que podem ser aproveitadas pelo Brasil a curto prazo?

OC – As oportunidades estarão concentradas, principalmente, nos setores de alimentos e energia – energias alternativas, por exemplo. Mas, acredito que as maiores oportunidades surgirão na saída da crise. O Brasil tem robustez para chegar lá mais preparado do que outros países. Nesse caso, podemos ganhar espaços no campo das commodities metálicas – aço, minério e derivados –, petróleo e derivados, florestal e celulose. Poderá avançar, também, nos setores moveleiro, rochas ornamentais, automobilística e alimentos em geral. Em síntese, 2009 poderá ser um ano de ajuste e preparação para a retomada da economia mundial em 2010. Mas, para isso, temos que fazer alguns deveres de casa, principalmente o governo com políticas bem formuladas e direcionadas para a qualificação do parque produtivo nacional. E, nesse aspecto, o Espírito Santo já sairá na frente, pelo que já fez de investimentos e ainda fará. O Espírito Santo não somente está preparado para a crise, como sairá, ainda, mais forte dela, lá na frente.

Orlando Caliman é professor aposentado do Departamento de Economia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Diretor Técnico da Futura.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

´COISA PRA GRINGO´ - Produção voltada ao exterior

Extraído do site Diário Nordestino

Por decorrências do alto preço do granito exótico, os produtos da Mineração Martins são destinados a estrangeiros.
Setor de modismos: de rochas ornamentais é muito influenciado pela moda. Hoje, certa rocha é lucrativa, amanhã, não (Foto: Silvana Tarelho)

Sobral. Material pra gringo ver. É mais ou menos assim que funciona a comercialização das rochas extraídas pela Mineração Martins. Diferentemente da Granistone, que trabalha, no município de Santa Quitéria, com um produto clássico e com grande penetração no mercado interno, as rochas exóticas retiradas de Sobral e Massapê pela empresa capixaba tem como destino exclusivo o mercado estrangeiro.
Estados Unidos, Itália, Espanha, França e mesmo a China são os principais compradores destes granitos, como informa Anderson Minete. ´O brasileiro não consegue comprar esses produtos, é só para gringo. O custo é muito alto´, justifica.
Enquanto a média de preço dos granitos vendidos no País é de até R$ 100 o metro quadrado, a média dos granitos da Mineração Martins é de R$ 190 a mesma medida. O motivo para esse preço mais elevado é a característica das rochas, que são mais duras, difíceis de retirar, e cheias de fraturas, trincos. ´Se chegar na serraria, vende. Vender é fácil, difícil é beneficiar´, aponta Minete.
Da mina, a pedra sai em blocos, que serão transformados em várias chapas. Cada chapa possui 5 metros, ou seja, gera um lucro de cerca de R$ 950. Esse trabalho de transformação em chapas é feito em serrarias, onde a pedra também é serrada e polida, além de passar por outros processos, como a calibragem. ´A chapa tem que ser reta, não pode ter empeno´, explica Minete. Como esse beneficiamento é feito em Vitória (ES) para as rochas da Mineração Martins — porque, segundo ele, as serrarias daqui ainda não têm experiência com este material —, os gastos acabam sendo mais elevados, por decorrência do frete.
´Mesmo assim, ainda é viável´. Os gastos com esse transporte respondem por 10% do investimento que a empresa faz´, garante o gerente.
Segundo Minete, existem, inclusive, chineses que estão comprando os blocos e fazendo o beneficiamento na China. De lá, vendem, em especial, para os Estados Unidos, com um preço ainda menor do que aquele que sai do Brasil. A explicação para isso é a mesma que faz com que os produtos têxteis brasileiros enfrentem a competição desleal: o baixo custo da mão-de-obra por lá.
Contudo, mesmo com o mercado ávido por estes materiais, Minete lembra de uma certa característica problemática do setor: ´As pedras são como moda de roupa. Eles rendem enquanto está na moda´.
Trabalho automatizado: No início deste ano, a empresa trocou britadeiras por máquinas (Foto: Silvana Tarelho)

POUCOS EMPREGOS NA PEDREIRA
Máquinas substituem homens
Sobral. Ele começou como ajudante em pedreira, no Estado do Espírito Santo e, hoje, depois de 12 anos, ainda retira das pedras o seu sustento. Mas o ambiente mudou: veio para o Ceará. ´O calor é bem maior´, compara. Além disso, o cargo também é outro. Serudes Vernek agora é o encarregado (gerente de mina) de uma das pedreiras da Mineração Martins em Sobral.
Ele trabalha o dia inteiro. Trabalho puxado, às vezes nem vai à sede do município, acaba ficando mesmo no alojamento. O ganho financeiro, atualmente, é medido por porcentagem nos lucros da pedreira. ´Em média, dá cerca de sete salários mínimos´, calcula.
Juntamente com ele, vários funcionários do Espírito Santo se deslocaram para as pedreiras do Ceará. São cerca de 12 trabalhadores por pedreira, entre encarregados, fioristas (aqueles que manuseiam as máquinas) e ajudantes, estes outros recebendo cerca de R$ 1 mil por mês. Aos poucos, os cearenses estão entrando no negócio, mas as perspectivas de geração de emprego não são tão animadoras.

Granistone comercializa 4 mil metros cúbicos, por mês, de blocos comerciais. A vedete são as rochas brancas
Mecanização
O motivo é que, cada vez mais, o trabalho de mineração com granito exótico está sendo realizado por máquinas. No caso da Mineração Martins, a mudança começou no início deste ano.
´Há um ano, havia as britadeiras. Hoje, são as máquinas que atuam, e cada uma substitui seis marteleteiros.
Muita gente perdeu o emprego. É assim em seis das sete minas´, informa um dos gerentes empresa, Anderson Minete. O motivo da alteração nos meios de extração foi, segundo Minete, porque o material exótico é bem mais delicado, e não pode sofrer a vibração das britadeiras e do martelo. O corte dos blocos, hoje, é feito através de um fio, que custa R$ 17 mil por peça, e é usado por apenas três meses. ´Essa mineração não gera muito emprego. É máquina. Não gera nenhum benefício direto para a população, a não ser para os poucos que trabalham aqui. Quando coloca a máquina para cortar, é só ela´, analisa o empresário.

GRANITO BRANCO CEARÁ
´Um dos melhores do mundo´
O mercado de rochas ornamentais é intrinsecamente ligado a modismos. Ora se buscam granitos de tal cor, ora de outra; em um momento se quer mármores com certa textura, depois já se procura algo diferente.
Entretanto, existem algumas rochas consideradas clássicas, que, como diz Júlio Filho, diretor Comercial de uma das maiores empresas do setor no Brasil, ´passam incólumes a estas variações´.
Filho representa a Granistone S/A, que comercializa o denominado Granito Branco Ceará, extraído no município de Santa Quitéria, no Sertão Central cearense. ´Esse granito nunca sai de moda, porque é facilmente combinado com outras cores. Já é um produto tradicional, tem o seu mercado há mais de 20 anos´, esclarece o diretor da empresa.
A Granistone vende 4 mil metros cúbicos, por mês, de blocos comerciais. ´Nós extraímos quatro vezes isso, mas o resto acaba quebrando, não atende às especificações para o mercado´, explica. O metro quadrado é comercializado a R$ 150, enquanto que a maioria das rochas semelhantes são vendidas abaixo de R$ 100. ´O Branco Ceará é considerado um dos melhores do mundo, pela textura, por ser mais resistente, pelo lustre. E porque ele só existe em Santa Quitéria´, justifica Filho.
Cerca de 70% da produção é destinada ao mercado interno, especialmente para o Sudeste do País. A Europa e os países asiáticos também são consumidores ativos do material. A Granistone emprega quase 100 funcionários, sendo 65 na produção e 30 na administração. A mineradora possui uma pedreira também no Piauí e, segundo Filho, outras áreas estão sendo pesquisadas, no Ceará e em outros estados. ´Mas, até agora, ainda não encontramos uma outra ocorrência interessante economicamente´, diz. A empresa ainda não consegue mensurar a vida útil da pedreira. ´Nós conseguimos vislumbrar por muitos anos ainda, não conseguimos ver um fim´. A Granistone possui ainda outra jazida no Ceará, em estágio inicial, em Tauá, onde há granito preto.

Rochas do Ceará são oportunidade para o Interior

Extraído do site Diário do Nordeste

Rochas ornamentais: apesar de gerarem poucos empregos por empreendimento, a grande quantidade de pequenas empresas dá peso à atividade (Foto: Silvana Tarelho)

A maioria dos municípios cearenses possui potencial para atividade, que pode incrementar a economia

A atividade não gera um impacto muito grande no município em que atua, nem a entrada de uma nova empresa mineradora é capaz de criar um número elevado de postos de trabalho, mas a exploração de rochas ornamentais tem um papel importante no setor mineral do Estado do Ceará. Isso porque o segmento é formado, em geral, por pequenas empresas, mas muitas, atuando em várias regiões, como destaca o presidente do Sindicato das Indústrias de Mármores e Granitos (Simagran-CE), Roberto Amaral.
´As rochas ornamentais têm um impacto positivo em termos econômicos para o Interior. No Ceará, a maioria dos municípios tem potencial para rochas´, destaca. Entretanto, Amaral, que é também presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva Mineral, levanta que, para se desenvolver, o segmento precisa de apoio governamental. ´É preciso que o Estado crie alguns atrativos para que empresas do setor que estão vindo para o Nordeste possam ser atraídas ao Ceará´.
Rochas preciosas: pedras ornamentais cearenses são vendidas a valores mais elevados pela dificuldade de extração e, principalmente, por serem únicas no mundo

Esse estímulo, segundo ele, já começa a ser garantido. ´Precisamos criar um posto de serviço, uma espécie de depósito, para que as pequenas pedreiras no Interior possam concentrar o seu produto. Terá toda uma gama de serviço que facilitará a exportação, a preparação do produto para ser comercializado. O investimento seria pesado se tivesse que ser feito por cada uma das empresas locais´, aponta o presidente.
Posto na RMF
De acordo com o empresário, o posto deverá estar instalado ainda no ano que vem. ´Vai ser na RMF [Região Metropolitana de Fortaleza], mas a localização exata ainda está sendo estudada´, informa Amaral. Ele esclarece que, atualmente, está ocorrendo uma chegada intensa de empresas mineradoras de rochas ornamentais de outras regiões aos estados nordestinos.
´Por uma questão de necessidade de matéria-prima para o setor, principalmente para abastecer o parque industrial que existe no Sudeste, especialmente no Espírito Santo, muitas pequenas mineradoras dessas estão vindo minerar no Nordeste, em busca de rochas em diferentes padrões´.
Riqueza nordestina
As rochas nordestinas, explica, são ricas em variações de cores e matizes. No Ceará, a atividade ganhou notoriedade na década de 1990. ´Mas se falar da posição do Estado em relação a rocha ornamental, em comparação com os principais estados produtores do País, ela é tímida.
O potencial é enorme, mas tem que trabalhar´. O Espírito Santo domina a atividade hoje no Brasil.
Além das várias mineradoras no Ceará, existem ainda nove empresas de beneficiamento dos blocos que são retirados das pedreiras, e 70 a 90 marmorarias, que transformam a matéria-prima em produto final, como mesas, pias, etc.
A maior parte da produção estadual é escoada para o mercado interno.
PRODUTO EXCLUSIVO
Granito exótico atrai investidores do Sudeste
Sobral. O mercado no Espírito Santo, principal Estado produtor de rochas ornamentais, ficou apertado. Esse foi o motivo. ´Lá, tinha muito calote, competição grande, tinha gente vendendo abaixo do preço de custo´, informa Anderson Minete. A solução encontrada: vir explorar rochas aqui no Ceará. Assim, desde 2003, a empresa Mineração Martins iniciou suas atividades por aqui, entrando em parceria, para isso, com a Vulcano Export Importação e Exportação.
Minete, que é gerente da empresa, afirma que a decisão foi acertada. Em vários pontos em Sobral e Massapê, foram encontradas ocorrências de rochas comercialmente viáveis. ´As rochas que produzimos são chamadas de granito exótico. Isso porque não tem iguais no mundo. São difíceis de tirar, por isso, são mais caros, e exclusivos´, explica o empresário das pedreiras. Essas pedras possuem uma grande variação de cores, característica que faz o material ser chamado de ´louco´, e é o que faz o diferencial. ´Quanto mais louco o granito, mais eles, especialmente os americanos, querem´.
A Mineração Martins possui sete pedreiras na região, cada uma com um produto diferente: Rosso Barroco, Energy Abstrato, Laredo, Amarula, Nogat, Branco São Paulo e Nacarado, sendo este último o de maior valor para a venda. De cada um destes materiais, as utilizações são as mais diversas: bancada, mesa, pia, fachada de prédio, entre várias outras.
Investimento alto
O trabalho de extração é feito em cima de pedidos, explica Minete, mas a média mensal acaba sendo de cerca de 100 metros cúbicos por mês. Segundo ele, os recursos investidos para iniciar cada pedreira foram de aproximadamente R$ 900 mil. ´Tem empresa que não vem porque o investimento é alto. Tem que arriscar, não tem uma demanda fixa, mas tem despesa fixa. Contudo, a demanda hoje é maior que a oferta´, garante.
A venda é em dólar, e o produto vende bem, mesmo com a crise, afirma.
Além do investimento na instalação da pedreira, são gastos outros R$ 40 mil em manutenção de cada pedreira por mês. ´O retorno não é imediato´, avisa.

Sérgio de Sousa
Repórter

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Sebrae: 10 passos para um negócio saudável

Extraido do site da Revista PEGN

O início de um negócio sempre envolve desafios. Para evitar que os obstáculos que surgem no meio do caminho não tirem uma empresa do mercado, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio de Janeiro (Sebrae-RJ) criou um "passo a passo" que o empreendedor deve seguir na hora de posicionar seu produto ou serviço no mercado.
Conheça abaixo os "dez mandamentos" relativos à melhoria da gestão, da omitização de custos e do relacionamento com o cliente desenvolvidos pela entidade:
1. Inove sempre
É preciso que o empreendedor tenha novidades que mantenham sempre a clientela interessada em seu produto ou serviço. Buscar inovações não se refere somente ao atendimento ao cliente, mas também a formas criativas de reduzir custos de produção, para manter o preço atrativo.
2. Monitore a concorrência
As boas idéias também podem estar no vizinho. É sempre importante saber o que a concorrência está fazendo em atendimento ao cliente, promoções e preços. Navegar no site ou visitar a loja do concorrente é sempre uma boa idéia.
3. Não tenha medo da informática
Não vale a pena perder tempo fazendo manualmente o que um computador pode fazer muito mais rápido. Use o seu tempo para pensar em estratégias e deixe a contabilidade, os estoques e o cadastro de clientes para softwares específicos.
4. Invista em treinamento
Atualize-se e certifique-se de que seus funcionários saibam muito bem quais são seus objetivos para o negócio. Cursos de venda, de gestão e de aprimoramento da qualidade podem ser boas ferramentas para motivar a equipe.
5. Preste um bom serviço
A propaganda boca-a-boca é essencial para que um negócio prospere. Por isso, garanta que seu produto ou serviço satisfaça seus consumidores. Uma caixa de sugestões e um programa de fidelidade podem revelar o que seu freguês realmente quer.
6. Evite fazer estoques
É importante que o empresário saiba qual é a quantidade de matéria-prima que precisa para sua operação. A partir disso, poderá manter estoques mínimos e negociar bons prazos e preços com os fornecedores, atendendo bem os consumidores sem desperdícios.
7. Mantenha os olhos abertos
Uma oportunidade de crescimento pode "morar" ao lado. Por isso, não se feche dentro do próprio negócio e mantenha-se atualizado sobre as novas tendências em seu setor. Fique atento para não deixar de perceber, por exemplo, que uma cidade vizinha pode estar precisando de seus produtos.
8. O governo é um bom cliente
A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, aprovada em 2006, prevê benefícios para os pequenos empreendedores nas compras do governo. Por isso, fique atento aos editais de compra governamental, especialmente os de prefeituras.
9. Olhe para cima
Uma boa alternativa para a pequena empresa é uma parceria com uma companhia maior. O pequeno negócio pode ser responsável por um elo da cadeia produtiva: por exemplo, há pequenas empresas que fazem a estamparia das camisetas vendidas em grandes magazines.
10. Imagem é tudo
Instalações físicas limpas e bem conservadas, funcionários bem treinados e equipamentos bem cuidados fazem o ambiente de seu negócio parecer mais profissional. Por isso, garanta que a pintura e a limpeza do "cartão de visitas" de sua empresa, seja ela uma loja ou um escritório, esteja sempre em dia.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Crise fará setor capixaba de rochas demitir 20% do pessoal

Extraído do site Gazeta Online

17/10/2008 - 12h47 (Outros - Redação Gazeta Rádios e Internet)

A crise no mercado financeiro norte-americano já compromete um dos setores mais importantes da economia capixaba. Os proprietários das empresas de mármore e granito já anunciam que demissões serão inevitáveis no início de 2009. O vice-presidente da Brasvit Indústria e Comércio, localizada na Serra, Keith Cattley, disse, em entrevista à Rádio CBN Vitória, que espera um corte de mais 20% no quadro de pessoal das empresas. "Os cortes começaram já em 2007, com o agravamento da situação nos EUA, provocada pelo subprime. As demissões são inevitáveis porque é uma crise séria e atinge o nosso principal mercado exportador, que são os Estados Unidos".

O vice-presidente disse que acompanha com preocupação as medidas anunciadas pelo Banco Central para tentar conter os efeitos da crise no Brasil. "Essa medida acaba não chegando as empresas de pequeno e médio porte como são a maioria das empresas do setor de mármore e granito. Outro problema é a escassez de crédito fora do Brasil. Os bancos do país não negam crédito, porque a maioria das empresas tem linhas de crédito aprovadas. Há escassez de crédito internacional".

As previsões para o setor de rochas, em especial para as exportações, não são nada animadoras para Keith Cattley. "Nós vamos passar por sérias dificuldades se os efeitos dessa crise no sistema financeiro dos Estados Unidos se estenderem. As empresas dos municípios de Cachoeiro de Itapemirim, Barra de São Francisco e Nova Venécia serão duramente afetadas".

O presidente do Centro Brasileiro de Indústrias Exportadoras de Rochas Ornamentais (Centrorochas) Adilson Vieira Borges avalia que os efeitos dos problemas no mercado financeiro norte-americano respingaram mais rápido do que a capacidade do governo em adotar estratégias contra a crise. "Estamos em contato constante com os governos Estadual e Federal. Estudamos medidas que possam ser adotadas pelo setor, mas a crise veio muito rápida e é intensa. O governo Federal mesmo não acreditava que a crise seria tão intensa e está afetando a economia do país como um todo".

Os empresários tentam buscar outros mercados em outros países, mas Borges diz que há dificuldade em expandir os negócios porque o problema originado nos Estados Unidos atinge todo o mundo. "Tentamos direcionar nossas produções para outros mercados do mundo, mas a crise também se volta a outros países e afeta inevitavelmente as encomendas de mármore e granito. Teremos mesmo que reduzir a produção e ajustar o quadro de funcionários. Alguns empresários já fecharam as portas".

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Pedras Ornamentais e Rochas Naturais

Matéria recebida do diretor da Revista Pedras do Brasil

Durante uma palestra em Campos, RJ, para alunos de arquitetura, fui questionado sobre alguns termos técnicos utilizados pelo setor de "Rochas Ornamentais". Fiquei surpreso pelo nível de questionamento. Com toda a modéstia, e como sou um jornalista de economia bem informado fiz igual a político, escorreguei, mas não esborrachei no chão.
O que me chamou atenção é uma questão que debato há tempos e que implantei na Revista Pedras do Brasil. A utilização de forma errada do termo "Rochas Ornamentais". O correto é Rochas Naturais e não "Rochas Ornamentais. E Pedras Ornamentais.
Na Revista Pedras do Brasil, os leitores mais atentos percebem que aplicamos o termo Rochas Naturais para apontar as rochas em sua forma original, antes de ser minerada, extraída da natureza.
E Pedras Ornamentais para definir uma obra de arte ou uma pedra serrada, polida.
Uma rocha in natura não pode ser ornamental, porque ela não passou por nenhum processo de ornamentação, de tratamento. Ela foi esculpida e teve forma original pelo Criador. Portanto é uma Rocha Natural, um produto da natureza, sem interferência de nenhum agente químico ou transformador.
A Rocha após extraída em pequenos cubos de blocos e depois serrada, polida, tratada, transforma-se em obra de arte, e a isso damos o nome de Pedras Ornamentais, porque ela foi ornamentada, esculpida, sofreu reação de transformação, recebeu agentes químicos, portanto deixou o estado natural e passou para o estado físico de transformação, portanto tornou-se ornamental.
Um dos graves erros do setor de Mármore e Granito é insistir em chamar suas pedras transformadas, suas obras de arte em rochas como se ainda tivessem intactas na natureza. Isso confunde especificadores, porque ninguém vai colocar em sua casa uma rocha; a pedra é mais leve, soa melhor, é mais agradável aos ouvidos e olhos.
Como consultor de marketing empresarial tenho orientado algumas empresas na utilização dos termos de referência de seus produtos, com relativo sucesso.
Esta transformação passa acima de tudo pelo setor como um todo, pelo marketing de relacionamento com o cliente, de suas formas de expressão.
São regras pequenas e consideradas insignificantes, mas que definem bem o que queremos vender. Eu, por exemplo, não posso oferecer à dona de casa, a um arquiteto ou design uma rocha natural, soa mal. Mas tenho chances enormes de ser bem atendido se apresentar minhas pedras ornamentais, aplicadas em um banheiro, em uma sala, uma cozinha...
É uma sugestão, apenas.

Toninho Carlos
toninhocarlos@revistapedras.com.br
Jornalista, diretor da Revista Pedras do Brasil e consultor de marketing empresarial

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Materiais Exóticos

Materias recebidas da redação da Revista Pedras do Brasil Arquitetura & Design

Por Karina Porto Firme
Nada mais que registros da história da Terra
Os veios multicoloridos dos materiais exóticos podem transformar um ambiente simples em luxuoso. Os chamados “defeitos” das pedras ornamentais não passam de registros da história terrestre.


O BRASIL É O MAIOR PRODUTOR de granito exótico pela sua própria formação geológica. Esse produto é considerado uma verdadeira obra de arte da natureza. É a clara demonstração de quanto a utilização de uma pedra pode valorizar um projeto e a necessidade de sensibilidade para desenvolver um bom projeto.
Antenada na unicidade dos projetos com materiais exóticos, a Revista Pedras Arquitetura & Design separou alguns ambientes desenhados a partir do movimento irregular e exclusivo dessas peças.
O mercado americano tem uma tendência pelos granitos exóticos, o que não acontece aqui. O Brasil vende mais granitos estáticos e de cores claras, mas este quadro tem sido alterado pela valorização do “possuir o exclusivo”.
Para a mesa do diretor, a arquiteta escolheu o Quatzito Rosso Fiorentino, da Brasigran. Beleza exótica.

A imponência das pedras exóticas O Lareira Up está de visual novo para receber as pessoas com requinte e sofisticação, sem perder o clima acolhedor e convidativo.
O projeto de reforma, assinado pela arquiteta Vivian Coser, lançou mão de pedras exóticas, que deram ao espaço uma roupagem arrojada e um toque original. Destaque para o Quartzito White Bamboo aplicado na fachada, que ressalta, logo na entrada, a imponência do espaço. Já a utilização do Quatzito Rosso Fiorentino agrega valor e beleza à mesa estrutura da sala do diretor. Para o piso e patamares da escada, a opção foi pelo revestimento Quartzito Mont Blanc, muito resistente e de aspecto luxuoso.
“A resistência inerente às pedras foi fator determinante na escolha dos revestimentos exuberantes e de fácil manutenção”, ressalta Vivian.
Segundo a arquiteta, em se tratando de um espaço comercial, a preocupação com critérios técnicos, referentes à durabilidade do material, se torna fundamental para evitar transtornos no futuro. “As pedras exóticas, fornecidas pela Brasigran, além de ressaltar a imponência do espaço, valorizam o projeto de forma sofisticada e arrojada”, define.
Detalhe que faz toda diferença
Numa mistura de estilos rústico e moderno, a designer Karla Giaretta desenvolveu uma varanda que é um verdadeiro convite à tranqüilidade. Destaque para a bancada em granito exótico que a profissional utilizou como ponto de partida para a criação de todo ambiente.
“A vantagem do exótico é a personalidade que ele cria no espaço. É tudo uma questão de hierarquia, a bancada neste ambiente, por exemplo, é mais importante que o piso”, ressalta Karla.

Para arquiteta Karla Giaretta, é tudo questão de hierarquia. “a bancada neste ambiente, por exemplo, é mais importante que o piso”, ressalta.

Para qualquer situação
O Espírito Santo é fonte de impressionantes materiais exóticos, mas o mercado nacional ainda tem preferência pelos materiais claros e uniformes. Mas o arquiteto Augusto Pacheco Saletto acredita que esta cultura esteja mudando. Neste lavabo, ele optou pelo granito Golden Sand, fornecido pela Granitos Zucchi.
“O granito exótico pode ser utilizado em qualquer ambiente ou situação. Devemos ter cuidado com as cores e movimentos das pedras, na composição com outros materiais que deverão, preferencialmente, ser neutros”, orienta o profissional.
Exclusividade garante especificação
Inaugurado recentemente, na capital capixaba, o Shopping da Decoração também conta com a beleza e unicidade dos materiais exóticos. A necessidade um material resistente à grande circulação de pessoas e a diferenciação do produto levou a arquiteta Marília Celina optar pelo Quartzito Mont Blanc, aplicado na loja La lampe. “Cada bloco sai de um jeito, então o cliente sempre terá algo exclusivo”, afirma. O material foi fornecido pela Brasigran e executado pela Revest Mármores.
“Foi utilizado o acabamento de superfície anticato, que é um polimento feito com escovas abrasivas, dando uma textura diferenciada”, pontua a profissional referindose à textura antiderrapante que garante segurança aos clientes da loja.

A decoradora Luisah Dantas escolheu o quartzito Alga Green para revestir o banheiro. Especificou o material da Vitória Stone no piso, nas bancadas e nas cubas.

10 super dicas sobre o granito exótico
Por Karina Porto Firme
AS MARCAS DA NATUREZA são impressas nos materiais exóticos, que encantam pela sua exuberante raridade. Mas, as formas movimentadas e nada convencionais dos materiais são motivos de dúvidas durante sua aplicação. Em uma entrevista à Revista Pedras Arquitetura & Desing, o diretor do Grupo Pemagran, Cláudio Sandrini destacou os dez principais pontos sobre a utilização deste material, muito querido no exterior e que tem caído “nas graças” dos brasileiros.
01 - Características.
Os granitos exóticos são rochas ígneas. Alguns são, na verdade, pegmatitos, porém comercialmente chamados de granitos. Por suas belezas únicas, marcantes e exclusivas denotam luxo e requinte aos ambientes. Caracterizam, também, pela sua resistência e, portanto, são apropriadas para suportar grandes esforços mecânicos.
02 - Onde aplicar.
O granito pode ser aplicado em diversos locais, desde fachadas de edifícios, pisos e escadas, a bancadas secas e molhadas. O que define sua aplicação ideal são suas características técnicas e seu tratamento, de acordo com a finalidade e a manutenção adequada.
03 - Onde não aplicar.
Depende da resistência à flexão, utilizando materiais mais resistentes aos agentes externos, o granito pode ser utilizado em diversos ambientes. Estes cuidados serão inúteis se não houver uma boa camada de impermeabilização na área onde ele será aplicado.
04 - Como aplicar.
Para a aplicação, alguns cuidados são essenciais como a contratação de mão-de-obra especializada, a correta impermeabilização do contra-piso e a atenção na hora do assentamento. 05 - Quando aplicar.
Os processos para aplicação do granito estão relacionados às necessidades do local. Em áreas úmidas, que expõem a uma condição de submersão em água e vapores de água, são necessárias argamassas colantes, com boa aderência.
06 - Vantagens
O granito é mais resistente à absorção de água, destacando-se pela sua dureza, e paginados únicos, com desenhos rebuscados e movimentados, com cores exóticas, que conferem nobreza e luxo aos ambientes em geral.
07 - Durabilidade.
O granito possui grande durabilidade em relação aos pisos e outros materiais. São muito utilizados em áreas externas e internas, como revestimento de prédios, edifícios, em bancadas e pisos.
08 - Restauração.
Geralmente a restauração se inicia com a utilização de uma seqüência de discos abrasivos diamantados, que têm por finalidade eliminar riscos, porosidade e manchas superficiais, sendo removida, apenas, uma finíssima camada da superfície.
09 - Conservação.
Os impermeabilizantes de silicone são muito indicados para a conservação do material. Para o uso caseiro é recomendado o uso de alvejantes neutros contendo agentes condicionadores acentuando, ainda mais, a beleza do material.
10 - Comercialização.
Ultimamente o mercado de granitos exóticos é amplo, onde chapas, ladrilhos e bancadas são muito comercializadas no exterior e no mercado interno, que vem crescendo cada vez mais. Ainda vemos a necessidade de se criar uma cultura de uso de exóticos no Brasil, através dos arquitetos que são os que ditam as tendências e induzem o uso.
Curiosidades e formas distintas de se usar o granito exótico
Os granitos exóticos podem ser utilizados em inúmeros lugares, aplicados como os belíssimos e exclusivos paginados – material polido, seguindo a seqüência do movimento da pedra –, e o Leather Finish – escovado – que é indicado para escadas, áreas externas ou beira de piscinas, por não serem escorregadios.
Você sabia?
Atualmente as empresas têm investido muito em estudos e em tecnologia para aproveitar sobras de granito, com o objetivo de diminuir o impacto ao meio ambiente. Uma tendência é a fabricação e uso da chamada “canjiquinha”, resultado de reaproveitamento de granitos cortados em lascas finas e aplicadas em camadas sobrepostas na parede, muito usado na decoração de jardins de inverno, dentre outros. A diferença para a versão contemporânea é o uso de iluminação para realçar o material.
Também vem sendo empregado o uso do filtro-prensa, onde ocorre à separação do rejeito da lama abrasiva da água, que é reaproveitada nos processos de beneficiamento, e o rejeito da lama é usado na fabricação de lajotas para construção civil.

Você sabe o que significa Exótico?
Por Denise Giestas
Denise Giestas é Engenheira civil, sócia-gerente da Revest Export Pisos e Revestimentos e Presidente da Associação Capixaba de Decoração Arquitetura e Design – Unidad. 27 3337-1000 denise@revest.srv.br

O BRASIL É O MAIOR PRODUTOR de granitos exóticos do mundo. Olhando no dicionário chegamos a algumas conclusões. Para os importadores, podemos dizer que é algo que vem de fora, ou seja, não é originário do mesmo país. Podemos dizer, ainda, que é algo extravagante, estranho ou fora do comum. E, por sua vez, significa desconhecido, diferente, raro. Aqui chegamos ao ápice deste nosso bate-papo: a raridade.
Por isso, eles são tão valorizados no mercado externo. Há uma grande variedade de cores e texturas, porém as padronagens nunca se repetem. Os desenhos formados em sua superfície são verdadeiras obras de arte e as cores obtidas são surpreendentes.
Alguns profissionais brasileiros estão começando a descobrir o valor dessas raridades, porém faz-se necessário uma maior orientação, tanto aos profissionais, que especificam, quanto ao consumidor final que, por desconhecimento, acabam rejeitando os materiais.
Na natureza, tudo é perfeito. As pedras exóticas se destacam, exatamente, pelas diferenças.
Estes materiais, na grande maioria, precisam ser resinados em sua superfície e protegidos por trás com tela de fibra de vidro, pois sua estrutura, formada por veios e fissuras, precisam ter um reforço extra para garantir sua rigidez. Muitas vezes, para a produção de peças de grandes dimensões, eles precisam ser estruturados, também, com ferro, aço ou até mesmo outra rocha.
Existem, ainda, algumas trincas ou vazios que compõem a estrutura desses materiais e que precisam ser preenchidos com resina ou, ainda, com pó do mesmo material ou, até mesmo, algum tipo de massa ou areia.
Portanto, quando você se deparar com algum material diferenciado, que possua essas características, esteja atento para não errar. É normal você sentir um leve ressalto ao toque e, até mesmo, visualmente, pela incidência da luz, ter a impressão de que foi emendado. Na verdade, é isso mesmo que ocorre, o que não desvaloriza o material, pelo contrário, o torna único.
Geralmente, os exóticos têm uma dureza bastante alta e, apesar das fissuras inerentes ao material, eles não são frágeis e, na grande maioria, possuem altíssima dureza, ou seja, não riscam com facilidade.
A valorização de um projeto está exatamente no que é diferente. É muito fácil você ser mais um, difícil é ser diferente, ousado. Igual, todo mundo faz, todo mundo copia. Usar materiais exóticos em um projeto é o grande desafio.
E você, quer ser exótico?

O certo e o errado na hora do assentamento de pedras

Matéria recebida da redação da Revista Pedras Arquitetura & Design
Por Frila Comunicação

O MÁRMORE E O GRANITO ESTÃO nos ambientes internos e externos das residências, clínicas, indústrias, clubes, piscinas, calçadas, pistas de circulação de veículos, dentre outros. Vale ressaltar que sua participação na economia do país e do Estado do Espírito Santo é significativa, estando entre os cinco maiores produtores do mundo e possuindo grandes reservas naturais.
Desde sempre, eles são as opções de revestimento mais usados, porém a má colocação de uma pedra ornamental pode acarretar riscos para a obra. A escolha da argamassa e de quem irá assentá-la são essenciais para evitar esses contratempos.
Um bom projeto possui: organização funcional, iluminação, ventilação, conforto térmico, dimensionamento adequado, acabamentos bem especificados e aplicados corretamente, por profissionais competentes. O resultado é uma obra com qualidade total.
Dicas para a aplicação de rejuntes:
· Aguardar 72 horas após o assentamento;
· Proceder a limpeza das juntas para remoção dos resíduos capazes de prejudicar a aderência do rejunte à pedra;
· Fazer o espalhamento da argamassa de rejuntamento (à base de cimento portland) com o auxílio de um rodo de borracha ou espátula plástica. Não utilizar espátulas metálicas, pois estas poderão riscar a pedra;
· No mínimo 15, no máximo 40 minutos, após a aplicação, deve-se limpar as partes polidas utilizando esponja úmida e limpa;
· Para ambientes úmidos recomendam-se produtos à base de resina epóxi.
Ligação entre o contrapiso e a pedra
A preferência pelo uso de pedras ornamentais nos revestimentos de pisos não sai de moda. Esse material possui grande resistência, enorme variedade de padrões, amplas possibilidades decorativas e compõe os revestimentos de paredes, pias, tampos de cozinhas, bancadas de banheiros e mesas. Cada vez mais, os arquitetos voltam a valorizar os materiais naturais, deixando a ostentação e buscando a economia, a limpeza, o funcional e a fácil manutenção em seus detalhes.
A argamassa é a ligação responsável entre o contrapiso e a pedra. Para o assentamento correto o ideal é usar a argamassa industrializada, chamada de colante, que possui aditivos que facilitam a absorção, liberam água para a pedra ornamental numa quantidade moderada, facilitando o assentamento do piso. O uso da argamassa tradicional – feita na obra com areia e cimento – pode manchar a pedra.
Segundo o técnico do laboratório industrial do Grupo Argalit, Alessandro Lima, existem argamassas de muitas colorações e que podem ser usadas como rejunte, de acordo com a cor da pedra. Lima ainda dá uma dica, “é necessário que haja um espaçamento de 2 milímetros entre uma pedra e outra. Isso evita a dilatação ou rompimento das placas para que não se soltem posteriormente”.
Durante o assentamento, é importante realizar a limpeza das juntas para remoção dos resíduos capazes de prejudicar a aderência do rejunte a pedra. Após a aplicação do material, as partes polidas devem ser limpas com uma esponja úmida e limpa.
Limpeza e manutenção:
A limpeza e conservação deverão ser feitas exclusivamente com pano umedecido e com sabão neutro. Nunca use qualquer produto químico ou cera, pois estes acumulam areia que, agindo como abrasivos, provocam desgastes no polimento. Também é errado limpar a superfície polida com material que deixe vestígio de ferro (palha de aço), pois estes provocam oxidação no material.
Saiba o que não fazer durante o assentamento de materiais ornamentais:
ERRO
· Aplicação sem juntas (juntas secas)
· Molhagem excessiva quando a aplicação for com argamassa
· Uso de argamassa de cal-areia sem cimento
· Espalhamento de adesivo em área muito grande
· Bater nas peças com ferramenta metálica
· Falta de limpeza do painel após aplicação e o rejuntamento
· Rejuntamento com brocha
· Preenchimento incompleto do verso das peças
· Impermeabilização falha do contrapiso
· Uso de materiais inadequados na limpeza como palhas de aço, ácidos, etc.
Conseqüência
· Desprendimento do revestimento reticulado irregular
· Desprendimento do revestimento
· Desprendimento do revestimento
· Pouca aderência devido à secagem do adesivo
· Riscos, quebras e lascas
· Restos de cimento aderem permanentemente
· Material não penetra nas juntas
· Quebras
· Eflorescências
· Riscos ou ataque químico.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Exportação de rochas do ES pode cair 15% até o fim do ano

Extraído do site Folha Vitória

Com a recente crise na economia americana, os setores que tem ligação direta com os Estados Unidos, como o de rochas ornamentais do Espírito Santo, também são atingidos. A queda nas exportações chegou a 12% e pode fechar o ano em 15%.
O Espírito Santo é o maior exportador de rochas do país, responsável por 66% da produção que sai do Brasil. Com o aumento do custo do crédito bancário e a dificuldade de novos financiamentos, a redução nas vendas, já em agosto deste ano, chegou a uma queda de 20%.
Para o presidente do Centro Brasileiro de Exportadores de Rochas Ornamentais, Adilson Borges, o comportamento do mercado é reflexo direto da crise. “Obviamente quando você tem uma redução do volume disponível para financiamento da produção e o aumento da taxa de juros deste financiamento, a conseqüência natural é uma redução maior da produção e evidentemente do volume exportado”, explicou.
O setor de rochas ornamentais já trabalha com a expectativa de que o ano poderá fechar no vermelho, com queda de 15%. Os empresários neste momento, de acordo com Adilson, buscam novas alternativas de mercado. “Algumas empresas estão voltando um pouco mais a sua linha de produção para o mercado interno. Com isso, buscando o equilíbrio entre demanda e oferta”, concluiu.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Hartung: licença sai e Litorânea-Sul começará a ser construída

Extraído do site Folha Vitória

A construção da variante ferroviária Litorânea-Sul, que interligará a estrada de ferro Vitória-Minas a Cachoeiro de Itapemirim, passando pela Grande Vitória e pelo Porto de Ubu, em Anchieta, começará nos próximos meses. A garantia é do governador Paulo Hartung (PMDB). Em entrevista a jornalistas da Rede Vitória na manhã desta quinta-feira (9), ele afirmou que a Vale, responsável pela obra, já recebeu Licença de Instalação (LI) do Ibama para dar início aos trabalhos.
Segundo Hartung, o grupo Odebrecht foi contratado para começar as intervenções. "Isso deve acontecer dentro de alguns meses e os investimentos são da ordem de R$ 1,3 bilhão. É muito emprego que vem por aí, especialmente na construção civil", afirmou.
Com uma capacidade de transporte de 13 milhões de toneladas de cargas por ano, a Litorânea-Sul terá 165 quilômetros de extensão. A linha interligará a ferrovia Vitória-Minas ao sul do Estado contemplando os municípios de Viana, Vila Velha, Guarapari, Anchieta, Piúma, Rio Novo do Sul, Itapemirim e Cachoeiro de Itapemirim.
"A crise é problema, mas é oportunidade também", afirmou Hartung, se referindo à instabilidade financeira mundial. "Curiosamente, em plena crise, nós temos notícias extraordinárias em relação ao Estado. A Baosteel anunciou que independente de crise vai em frente com o projeto de Ubu. Numa conversa com diretores da Vale, me comunicaram que receberam a licença do Ibama em relação a Litorânea-Sul e vão construí-la. Os americanos perfuraram no pré-sal capixaba e encontraram petróleo. Então, em meio à crise, estamos andando para frente de forma surpreendente", disse.
Reflexos da crise financeira
Mas, apesar disso, é preciso cautela. Hartung lembra que, por orientação dele, a equipe do governo capixaba anunciou cortes de gastos na semana passada. "Cortamos basicamente investimentos em infra-estrutura. Momentaneamente os adiamos. Preservamos e ampliamos os orçamentos da Educação, Saúde e Segurança Pública. Na prática, estamos adiando uma estrada nova que queríamos fazer, mas não vamos adiar a nova escola, o novo hospital. Se o sinal vier positivo na arrecadação do ano que vem, a gente vem retomando os investimentos", garantiu.
Oportunidade no pós-crise
"O que precisamos agora, durante essa crise, é ter prudência. Se a gente atravessar de forma organizada, do outro lado dessa crise vai se abrir um mundo de oportunidades. O mundo vai precisar de energia e, com o pré-sal, somos grandes provedores. O mundo precisará de alimentos e somos grandes produtores. Temos que nos preservar, mantendo o orçamento equilibrado e as finanças em dia para aproveitarmos as oportunidades que virão", afirmou Hartung sobre a crise financeira que o mundo atravessa.
Banestes: "Incorporação é uma tendência"
A proposta de incorporação do Banestes pelo Banco do Brasil será analisada pelo Governo do Estado ainda neste segundo semestre, apesar da crise. "A proposta foi colocada no sentido de que o Banco do Brasil não diminuiria o número de empregos e de agências. O Banestes tem a rede de maior capilaridade. Evidentemente não nos debruçamos em cima do assunto. Nesse segundo semestre avaliaremos um caminho. Vamos ter que ouvir muitas opiniões e análises antes de tomar essa decisão. Agora, não há como negar: a incorporação é uma tendência. Essa semana mais um banco foi incorporado em Santa Catarina. A Nossa Caixa também está em fase de negociação. O Banco Estadual de Brasília também. É uma tendência. Mas precisamos analisar", disse.